Aço: América Latina poderá herdar o espaço deixado pela China no mundo – 17/11/2021

17 de novembro de 2021

As medidas de restrições à produção siderúrgicas adotadas pela China em 2021 podem ser uma oportunidade para as usinas da América Latina nos próximos anos, segundo o presidente da Associação Latino-americana do Aço (Alacero), Máximo Vedoya. O executivo, que também comanda a Ternium, alerta, no entanto, que para conquistar o espaço deixado pelas empresas chinesas as companhias da região devem investir em produtos de maior valor agregado e na redução das emissões de gases do efeito estufa.

“As empresas têm que investir em soluções para a descarbonização. Temos uma vantagem, mas outras regiões estão apostando em processos mais limpos com a ajuda dos governos”, disse Vedoya. Segundo ele, as siderúrgicas da América Latina emitem 1,6 toneladas de CO2 para cada tonelada de aço produzida. Esse volume é de 10% a 15% mais baixo que as empresas europeias e 25% inferior às companhias na China.

O executivo ressaltou, por outro lado, que governos da Europa, Estados Unidos e Canadá estão investindo junto com as empresas de seus países no desenvolvimento de um processo produção mais eficiente. Por essa razão, podem levar vantagem nessa corrida pelo mercado deixado pela China. “Não estou pedindo para que governos latino-americanos invistam diretamente nas empresas, mas temos que encontrar maneiras para avançar nesse tema da descarbonização.”

Segundo Vedoya, o apoio dos governos da região pode vir por investimentos em infraestrutura, como no abastecimento de gás natural e em regras claras para a atração de recursos para energias renováveis. “Tem que facilitar esses processos na América Latina. Isso nos dará condições para competir com outros mercados.”

Para o dirigente da Alacero, o Brasil, por exemplo, que detém uma matriz energética mais limpa que outros países da região, deve rever estruturas de abastecimento de gás natural, o combustível de transição para uma siderúrgica livre de emissão de CO2.

“O Brasil tem gás natural mas ainda é caro e não há infraestrutura eficiente de distribuição. Já a Argentina tem que investir em energias renováveis, assim como o México”, disse. “Cada país tem um prolema distinto, mas todos estão com a mesma visão: promover uma siderurgia mais limpa.”

A descarbonização será um dos temas discutidos no Congresso Alacero desde ano, que começa hoje. Vedoya disse que as empresas vão assinar o compromisso de redução das emissões com metas para 2030 e 2050. “Nesse documento vamos mostrar o caminho para as companhias alcançarem o carbono neutro”, afirmou. “No Brasil, por exemplo, as siderúrgicas podem investir em carvão vegetal, biomassa, gás natural, em biometano e intensificar o uso de sucata. Isso são tecnologias que estão disponíveis para implementação até 2030.”

Quanto as estimativas de consumo aparente de aço no mercado latino-americano no próximo ano, Vedoya foi mais conservador e disse que o ritmo de crescimento será mais lento, mas sobre uma base alta. Em 2021, a expectativa da entidade é um aumento na demanda na região de até 20%, alcançando 70 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos.

“Este ano, o consumo aparente se recuperou muito após a pandemia. O Brasil deve ter um crescimento de 24%, o México, outros 12%”, afirmou o executivo. “No próximo ano estimamos que vai crescer menos, muito porque já ocorreu a normalização das demandas nas cadeias de valor.”

Segundo Vedoya, as estimativas para o mercado brasileiro são de evolução de 2% a 3% no consumo aparente em 2022. O executivo foi mais comedido em relação às expectativas de outras empresas. A Gerdau, por exemplo, avalia que a demanda deverá crescer até 6%. Já a ArcelorMittal acredita que a alta no consumo aparente deverá chegar a 5%.

“No México, estimamos um aumento de 5%. Em geral, haverá um crescimento moderado em todos os mercados da região. No entanto, esse cenário pode mudar, caso a China mantenha o seu esforço de reduzir a produção siderúrgica.”

Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 17/11/2021

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