Alta da importação aponta para aquecimento

3 de outubro de 2017

O crescimento pelo segundo mês consecutivo das importações brasileiras de bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção industrial) sinaliza para reaquecimento da economia, avaliou o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Abrão Neto, ao comentar os dados da balança comercial de setembro.

As compras de bens de capital por importadores brasileiros cresceram 34,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em agosto, já haviam registrado elevação anual de 6,6%. A elevação ocorreu em áreas como veículos de carga, energia renovável e nos setores químico e de celulose.

“O que pode indicar uma tendência de recuperação dessa linha de importações, muito relacionada a investimentos. Nós confirmaremos essa tendência nos próximos meses”, ressaltou o secretário de Comércio Exterior.

Ele destacou que também cresceram as importações de bens intermediários, outra categoria ligada ao aquecimento da economia. A alta foi de 15,1% ante setembro do ano passado. “O aumento está concentrado nas importações de bens intermediários e insumos em especial para a agropecuária, como fertilizantes e herbicidas, e também para a indústria dos setores químico e eletroeletrônicos”, destacou Abrão Neto.

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulgou ontem os resultados da balança comercial em setembro, com registro de superávit de US$ 5,178 bilhões para o mês e de US$ 53,280 bilhões no acumulado do ano. Os dois números representam recorde para o período de análise.

Abrão Neto destacou que o saldo positivo de setembro foi o oitavo recorde mensal consecutivo da balança este ano. Neto disse ainda que a previsão do governo federal, de que a balança encerrará com superávit acima de US$ 60 bilhões, deve ser revista. “Estamos atualizando nossa estimativa e devemos divulgar uma nova projeção em breve”, declarou.

O principal motivo para o bom desempenho da balança neste ano é o crescimento dos preços das commodities (produtos básicos, matérias-primas e combustíveis com cotação internacional). Também aumentaram as quantidades exportadas de alguns produtos.

Um dos produtos em alta este ano é o petróleo. A chamada conta-petróleo, que computa as exportações e importações do bem, está superavitária em US$ 4,269 bilhões de janeiro a setembro deste ano. No mesmo período do ano passado, havia déficit de US$ 446 milhões.

Abrão Neto atribuiu o superávit ao aumento da produção doméstica de petróleo, associada à recuperação do preço da commoditie no exterior. “Houve aumento muito positivo do lado das exportações, crescimento da produção interna e recomposição do preço. Há crescimento das importações, mas tem ocorrido em percentual inferior ao aumento das nossas exportações”.

Superintendência do Cade propõe condenação de companhias de frete internacional

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a condenação de sete empresas e da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional (Abreti), além de oito pessoas físicas, pela prática de cartel no mercado de agenciamento de frete aéreo e marítimo. A decisão está publicada no Diário Oficial da União (DOU).

O agenciamento de frete consiste no aluguel de espaços em empresas transportadoras, garantindo a essas companhias maior segurança da remuneração de suas operações com a consequente revenda do uso destes espaços a firmas que necessitam transportar seus bens. As empresas alvo da recomendação de condenação são: ABX Logistics Saima, Dachser, JAS do Brasil, Kuehne Nagel International, Kuehne Nagel Serviços Logísticos, UTi Wordwide e UTi Brasil.

Em nota, a superintendência informou que a conduta anticoncorrencial das empresas ocorreu na Europa e no Brasil e foi investigada e condenada em jurisdições como União Europeia, Estados Unidos, Japão, Suíça, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

O processo administrativo no Cade foi instaurado em agosto de 2010, após realização de operação de busca e apreensão, em 2009, nos escritórios de três empresas e na Abreti.

“As evidências revelaram que as empresas – seja por intermédio da associação, ou por conversas entre seus executivos – combinaram entre si o repasse simultâneo aos clientes, com consequências diretas nos preços de taxas referentes ao transporte de cargas. Elas também ajustaram a participação em pelo menos uma licitação da Petrobras e agiram para criar constrangimento à VarigLog, quando a empresa tentou atuar diretamente junto aos clientes, sem a intermediação dos agenciadores”, cita a nota.

Fonte: Jornal do Comércio
Seção: Economia
Publicação: 03/10/2017

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