Alta de preços pode reduzir importação

8 de maio de 2017

As siderúrgicas brasileiras chegam a maio relativamente mais aliviadas em relação a um grande ponto de preocupação recente. A importação, que subiu 73% no primeiro trimestre, em comparação anual, pode começar a desacelerar agora, fruto do encarecimento do aço lá fora e da desvalorização do real.

Desde 20 de abril, os preços da bobina a quente – referência no segmento de planos – e do vergalhão – referência em longos – estão subindo todos os dias na Bolsa de Futuros de Xangai. O aço chinês é um importante termômetro do mercado global, por ser considerado uma espécie de piso. No primeiro caso, o avanço foi de 10,2%, enquanto no segundo houve alta de 8,3%. A cotação média gira em torno de US$ 455 por tonelada. Enquanto isso, durante vários momentos o dólar registrou avanço frente ao real, mas após quedas recentes fechou a semana passada praticamente estável. 
 
Ou seja, em reais, o produto importado se tornou mais caro. Antes disso, no começo de abril, o risco de perder mercado para a importação era enorme para as companhias brasileiras. A participação do aço estrangeiro no consumo aparente nacional chegou a 15,3% em março, último dado disponível pelo Instituto Aço Brasil, perto do pico de 17% observado em outubro do ano passado, e anteriormente só visto em julho de 2015. Na época, analistas e participantes do mercado calculavam o prêmio do aço nacional sobre o laminado a quente importado – ou quanto o preço do produto nacional está acima do preço do aço do exterior, especialmente chinês – em mais de 20%. 
 
O próprio presidente da Usiminas, Sérgio Leite, classificou esse nível como “insustentável”, em teleconferência há três semanas. Ele também revelou, em entrevista ao Valor, que estava sendo pressionado pelas distribuidoras para conceder descontos. O prêmio considerado mais “saudável” para a concorrência é de aproximadamente 10%. Durante entrevista coletiva na qual apresentou os números de março e projeções para 2017, Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Aço Brasil, criticou a postura do governo federal frente a essa invasão dos importados. “O discurso de liberação da defesa comercial vai na contramão de tudo o que a gente viu no mundo”, declarou. Levando em conta uma comparação anualizada, que compila os dados de um período de 12 meses até aquele mês específico, em março a importação de aço ficou em 2,15 milhões de toneladas no país, 11,5% do consumo aparente de 18,64 milhões de toneladas. Esse volume marcou seis meses consecutivos de recuperação da demanda, nessa análise, durante os quais o aumento foi de 521,9 mil toneladas. 
 
A importação subiu mais no período, 538,1 mil toneladas.A perspectiva do preço também parece positiva. Enquanto o minério de ferro e o carvão metalúrgico, principais matérias-primas do aço, entraram em viés de baixa, o aço inverteu o sinal e acumula ganhos. Isso manteve a rentabilidade das usinas chinesas, maiores produtoras do mundo, o que pode dar sustentação ao nível atual de produção – e à cotação. Ao mesmo tempo, há temores de desaceleração na demanda, em linha com as medidas do governo para enxugar o crédito no país. Mas, ao menos até o fim deste semestre, a construção civil deve seguir aquecida na China. 

A consultoria Capital Economics escreveu em relatório que, em abril, a atividade manteve-se forte, o que coincide com o melhor momento sazonal para o setor. O Citi chegou a afirmar que “o setor imobiliário não recebeu o memorando da siderurgia chinesa de que a demanda está fraca”. 

Fonte: Inda
Seção: Siderurgia
Publicação: 08/05/2017

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