Ano de 2019 será chave para definir crescimento até o final deste governo

22 de janeiro de 2019

A recessão terminou oficialmente em 2016, mas desde lá a economia brasileira encontra obstáculos para crescer, especialmente por conta do cenário político, o qual será fundamental para definir o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos meses, avaliam especialistas.

A capacidade do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de negociar reformas importantes com o Congresso Nacional é exemplo disso. Segundo o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, o governo federal precisa aproveitar este ano para encaminhar e aprovar projetos, tendo em vista as eleições municipais em 2020.

“Em ano eleitoral, as negociações se voltam para este processo e ninguém quer aprovar medidas que possam ser impopulares, como é o caso da reforma da Previdência Social”, diz Balistiero.

“Não dá para adiar muito essas decisões, até porque o capital político vai se esvaindo ao longo do tempo, ainda mais se o Bolsonaro insistir nas pautas conservadoras ligadas aos costumes. Em um cenário como este, corremos risco de crescer abaixo de 2,5% nos próximos anos”, acrescenta o especialista.

Para Balistiero, o diagnóstico da equipe econômica de Bolsonaro está correto. Porém, falta agora saber qual será a proposta de reforma da Previdência que será apresentada pela equipe. “Outras duas agendas importantes são a abertura econômica e os projetos de infraestrutura”, destaca o especialista do IMT. O foco nas reformas internas e nos estímulos à economia nacional são importantes para minimizar os efeitos do desaquecimento da economia global. Ontem mesmo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 3,7% para 3,5% a sua projeção para o crescimento do PIB global este ano, e cortou de 3,7% para 3,6% a expectativa para 2020.

Diante desse contexto, a instituição diminuiu de 2,3% para 2,2% a expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2020, mas aumentou para 2019 (2,4% a 2,5%). 

Principal parceira

A China, nossa principal parceira comercial, cresceu 6,6% em 2018, a menor taxa de expansão do país em 30 anos. Segundo o FMI, a economia chinesa deve avançar 6,2% em 2019 e 2020, mas as tensões comerciais com os Estados Unidos (EUA) podem prejudicar o ritmo de expansão do país parceiro. Os EUA, por sua vez, correm o risco de entrar em uma nova recessão, enquanto a Argentina passa por crise e as nações europeias, por um baixo crescimento.

Instituições financeiras entrevistadas pelo Banco Central (BC) já veem uma balança comercial (exportações menos importações) menos favorável para o Brasil. A previsão para este ano é de superávit (exportação maior que importação) de US$ 52 bilhões, o qual vai diminuindo nos anos seguintes, em 2020 (US$ 49 bilhões), 2021 (US$ 43,70 bilhões) e 2022 (US$ 41,60 bilhões).

Sobre isso, a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Juliana Carvalho da Cunha, conta que a projeção da instituição para o PIB das exportações deve passar de 4,5% em 2018, para 2,6% este ano. “Apesar de menor, ainda é positivo”, diz ela.

Cunha comenta que, desde o final da crise, em 2016, o PIB brasileiro vem apresentando crescimento muito baixo, próximo à estagnação, tendo em vista as incertezas políticas. Nos últimos cinco meses, por exemplo, a média mensal de expansão do PIB foi de 0,1%. 

A economista do Ibre explica que, parte disso, é explicado pela construção civil. O setor não consegue crescer desde 2014, sendo que ele corresponde à 50% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, investimentos). Segundo Cunha, a construção deve passar a expandir este ano (+1,8%), mas muito dessa alta é explicada pela base baixa de comparação do que por uma recuperação expressiva do setor. 

“Alavancar a construção é muito importante para impulsionar a geração de emprego e a renda”, diz. Para isso, Cunha reforça que o encaminhamento das reformas será essencial para puxar para estimular a economia. O Monitor do PIB da FGV apresentou expansão de 0,3% em novembro em relação à outubro, e alta de 1,4% no trimestre encerrado em novembro de 2018, contra igual período de 2017.

Fonte: DCI 
Seção: Indústria & Economia 
Publicação: 22/01/2019

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