Apesar da crise, usinas reajustam os aços planos em abril

4 de abril de 2016

Mara Bianchetti

Com preços praticamente nos mesmos patamares do início do ano passado e em meio à pior crise já vivida pelo setor, as principais siderúrgicas nacionais deram início a uma onda de reajustes de preços de aços planos vendidos à distribuição. A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) foi a primeira delas, confirmando na sexta-feira o aumento da ordem de 11%, e a previsão é de que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a ArcelorMittal Brasil façam o mesmo nos próximos dias.

De acordo com uma fonte dos distribuidores, os reajustes serão praticamente da mesma ordem, variando entre 10% e 12%. A ArcelorMittal deve aumentar em 5 de abril, embora a companhia não comente políticas de preços. Já o reajuste da CSN está previsto para o dia 6. Na divulgação de resultados da empresa, na última terça-feira, o diretor comercial informou que reajustaria o aço em 10%, mas não confirmou a data. Por fim, a Usiminas confirmou o reajuste para a distribuição.

Além disso, a siderúrgica deverá praticar uma nova tabela para os clientes industriais. “Com relação aos produtos destinados aos clientes do setor industrial, excetuando-se aqueles cobertos por contratos de longo prazo, a Usiminas iniciará negociações caso a caso. Estes movimentos da Usiminas visam alinhar o preço de seus produtos ao atual patamar praticado pelo mercado internacional”, disse a companhia em nota.

“Ou as siderúrgicas aumentam os preços ou irão quebrar. Há momentos em que é preciso olhar por esse lado também. Os preços praticados estão nos mesmos patamares de janeiro de 2015, ou seja, cerca de R$ 1,6 mil a tonelada sem ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). Tivemos algumas tentativas de reajustes malsucedidas no decorrer do ano passado”, disse a fonte.

Em setembro de 2015, as siderúrgicas chegaram a anunciar aos distribuidores aumentos de preços em aços planos, mas acabaram revendo o reajuste diante da retração do mercado interno e da estratégia da Gerdau de não realizar altas para conquistar mercado.
A fonte lembra que a forte queda nas importações de aço pelo Brasil, diante do dólar mais alto em relação ao real, é o pretexto para um aumento do preço do aço no País pelas siderúrgicas.

Para se ter uma ideia, as importações de aço no primeiro bimestre acumularam queda de 72% sobre o mesmo período de 2015, para 193 mil toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABr). Já as vendas no mercado interno recuaram cerca de 23% no mesmo período, chegando a 2,5 milhões de toneladas.

Ainda conforme a fonte de mercado, de qualquer maneira, as siderúrgicas precisam ter cautela, pois o setor já não vai bem e qualquer tentativa de aumento de market share no mercado interno poderá piorar ainda mais a situação.

“O que estava segurando o aumento dos preços até então era a fatia de mercado e a briga com as importações, que absorviam parte do mercado. Agora, com a queda no consumo de produtos siderúrgicos internacionais, é hora de agir, mas é preciso ter paciência. Pois somente será possível saber se a estratégia deu certo no fim do mês”, explica.

Produção – Ainda conforme dados do IABr, a produção brasileira de aço bruto em fevereiro caiu 8,7% na relação anual para 2,434 milhões de toneladas. No bimestre, a produção de aço bruto ficou em 4,885 milhões de toneladas, queda de 13,7% ante o mesmo período do ano passado.

Já a produção de laminados caiu 14,8% mês passado para 1,7 milhão de toneladas. A de planos caiu 13,9% para 973,5 mil toneladas. A de longos, por sua vez, recuou 16% em fevereiro ante o mesmo mês de 2015 para 726,5 mil toneladas. (AE)

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Metalurgia & Distribuição
Publicação: 04/04/201

Compartilhe nas redes sociais