Câmbio vai pressionar a inflação neste ano

27 de fevereiro de 2015

Economistas estimam que o câmbio terá uma forte pressão de alta sobre a inflação deste ano, podendo variar entre 0,16 e 0,6 ponto percentual, a depender da intensidade de alta do dólar frente ao real.

Eles acreditam também que a depreciação do real já pode ter começado a impactar os preços do atacado e ao consumidor. Isso porque o movimento de alta do dólar já teve início há algum tempo, em junho de 2014, acentuando-se no período pós-eleitoral, com a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Além disso, na última segunda-feira, o valor da moeda chegou a bater R$ 2,90.
O consultor da GO Associados, Fernado Fernandes Neto, afirma que a “estilingada” cambial deve comprome ter a inflação ao longo de 2015. Ele calcula que, considerando um dólar a R$ 2,90, o impacto do câmbio na inflação chega a ser de 0,16 pp.
“A dúvida que resta é saber se esses R$ 2,90, ao qual chegou o câmbio, irá perdurar até o final do ano. Expectativas em relação ao dólar são muito difíceis de serem projetadas, pois não depende só do que está acontecendo na inflação, há outros componentes, como fatores internacionais, o que vai ocorrer com a Grécia, por exemplo, ou quais serão as decisões do Banco Central norte-americano”, explica o consultor da GO Associados.
“Considerando a forte variação cambial e a trajetória da inflação brasileira, a projeção do Top 5 do boletim Focus para o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] do final do ano, em 7,33%, é totalmente crível”, acrescenta.
Outras projeções
Para o professor de macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Celso Grisi, o câmbio também terá forte impacto na inflação. “Cada 10% de depreciação do real corresponde a um impacto de 1% na inflação”, explica o professor. “Há três meses estamos em um forte processo de depreciação do real, que já começou a pressionar os nossos preços. Não dá para mensurar o quanto, pois, junto a isso, temos o repasse dos preços administrados. O que sabemos é que, com certeza, o câmbio vai pressionar de forma semelhante os preços no atacado, no varejo e ao consumidor final, em 2015”, complementa.
Grisi afirma que o dólar deve chegar, no máximo, a R$ 3,50 neste ano. “Se o câmbio fechar em R$ 3,50, o impacto no IPCA de 2015 terá sido de 0,6 ponto percentual. Isso considerando o atual patamar do dólar, próximo a R$ 2,90”, explica o professor. Já se o dólar fechar em R$ 3,20, a influência do câmbio sobre a inflação será de 0,3 p.p. “É uma pressão considerável”, ressalta.
“Por isso, creio que a inflação fique entre 6,5% e 7%. E quem projeta mais que isso está com uma visão muito pessimista”, afirma Grisi. “Eu não acho que o racionamento, tanto de água como de energia, será muito forte. Estamos em um período intenso de chuvas e temos outras alternativas de energia, como a biomassa e a energia eólica”, considera.
O professor também pondera que o nível do IPCA de 2015 vai depender também dos efeitos das medidas de ajuste fiscal pelo ministro Levy, “que, hoje, sofrem impedimentos no Congresso”, finaliza.

Fonte: DCI                Seção: Economia                Publicação: 27/02/2015

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