China bate recorde de produção de aço e puxa preço do minério

21 de maio de 2019

As siderúrgicas chinesas atingiram um novo recorde em abril, com a produção anualizada superando o 1 bilhão de toneladas de aço pela primeira vez. Neste ano, após produzirem 75 milhões de toneladas em janeiro, as siderúrgicas chinesas voltaram ao ritmo de 80 toneladas por mês em março. Em abril, a produção deve ter chegado a 85 milhões de toneladas, de acordo com informações preliminares. Mantido esse ritmo até dezembro, a China fecharia o ano com 990 milhões de toneladas de aço produzidas.

A demanda maior por minério de ferro, para sustentar essa produção siderúrgica recorde, em um momento de restrição de oferta, levou a cotação da tonelada da commodity a passar dos US$ 100 na sexta-feira.

Segundo a publicação especializada “Fastmarkets MB”, os estoques de minério nos portos chineses caíram 1,24 milhão de toneladas em uma semana, para 132,07 milhões de toneladas na sexta-feira, o menor nível de desde outubro de 2017. Já a cotação do minério com pureza média de 62%, entregue no porto de Qingdao, avançou 2,5%, ou US$ 2,50, para US$ 101,71 por tonelada, ainda segundo a Fastmarkets MB.

Essa é a maior cotação no mercado à vista desde 15 de maio de 2014, quando o preço chegou a US$ 103,81 por tonelada. Com o desempenho, no mês, os ganhos acumulados pelo minério chegaram a 8%. Em 2019, a commodity tem alta de cerca de 40%.

Na Bolsa de Commodity de Dalian, os contratos mais negociados para setembro encerraram a sessão com alta de 5,4%, enquanto os contratos com entrega em janeiro chegaram a bater o limite de alta de 6%. 

A percepção entre analistas, que já esperavam que a marca dos US$ 100 fosse alcançada, com a redução na oferta após a tragédia da Vale em Brumadinho (MG), é a de que o rali pode se sustentar no curto prazo. Para o banco suíço Julius Baer, a valorização recente pode se manter nas próximas semanas, embora o cenário de menor oferta já esteja nas cotações atuais. “Embora o rali possa continuar no curto prazo, ainda vemos os preços se movendo para baixo no longo prazo, já que a oferta deve se normalizar e a demanda, desacelerar”, escreveu o chefe de pesquisa de Next Generation do Julius Baer, Carsten Menke, em nota a clientes.

“Reconhecemos o aperto no mercado de minério de ferro, em particular no contexto de demanda mais forte do que o esperado das siderúrgicas chinesas, mas acreditamos que isso está mais do que refletido nos preços de hoje [sexta-feira]”, ponderou o chefe de pesquisa do Julius Baer. De acordo com Menke, num primeiro momento, os dados econômicos da China confirmam a fraqueza da indústria de transformação em geral e, particularmente, das montadoras. Mas os investimentos em imóveis e infraestrutura, que são grandes consumidores de aço, seguem fortalecidos.

Com isso, na China, os preços do aço acumulam ligeira alta neste ano, enquanto há queda na Europa, diante do enfraquecimento da demanda, e nos Estados Unidos, na esteira da maior oferta do insumo. No ano passado, o país asiático respondeu por 51,3% da produção mundial de aço, com 928,3 milhões de toneladas e alta de 6,6% ante 2017. O volume produzido saiu do patamar de 70 milhões de toneladas e chegou a 80 milhões de toneladas.

Fonte: Valor 
Seção: Siderurgia 
Publicação: 21/05/2019

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