Consumo de aço deve crescer só 2% este ano

30 de julho de 2019

Com a economia em compasso de espera, o Instituto Aço Brasil revisou, pela segunda vez, as estimativas para este ano para o setor siderúrgicos. O consumo aparente deve crescer 2,1%, chegando a 21,65 milhões de toneladas. A previsão anterior era de uma elevação de 4,6% chegando a 22,18 milhões de toneladas.

“Estamos mais otimistas com o segundo semestre, mas como a primeira metade do ano foi muito ruim tivemos que rever nossas expectativas para o setor”, disse Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil.

Na nova estimativa, a produção deve se manter praticamente estável neste ano no comparativo com 2018. Devem ser produzidas 35,55 milhões de toneladas, alta de 0,4%. Na anterior, a perspectiva era de um crescimento de 2,2%. Já as vendas internas devem crescer 2,5%, chegando a 19,38 milhões de toneladas. O crescimento previsto anteriormente era de 4,1%.

As importações e exportações também foram revisadas. As vendas externas do setor devem cair 7,3%, chegando a 12,93 milhões de toneladas. Antes, o recuo estimado era de 6,1%. Já as importações vão se manter estáveis, com alta de 0,6%, 2,42 milhões de toneladas. A previsão anterior era de crescimento de 8,6%, para 2,61 milhões de toneladas.

Mello Lopes ressaltou que para chegar aos novos números, o consumo aparente terá que crescer 4% no segundo semestre, chegando a 11,28 milhões de toneladas. Além disso, as siderúrgicas terão de produzir 18,30 milhões de toneladas nesta segunda metade do ano, o que apresenta uma alta de 2,1%. Já as vendas internas teriam de ser 10,14 milhões de toneladas, mais 3,5%.

De acordo com o Aço Brasil, no segundo semestre as exportações de aço deverão cair 12,1%, atingindo o volume de 6,21 milhões de toneladas. E as importações poderão apresentar alta de 1,9%, a 1,16 milhão de toneladas.

“O primeiro semestre deste ano foi muito ruim. O mercado e a economia frustraram as nossas expectativas. Estamos mais otimistas com a segunda metade do ano, muito em razão das reformas que estão em discussão no Congresso. A previdenciária é corretiva. Na nossa visão, ela mostra ao investidor que a casa está sendo arrumada, mas a principal para a indústria é a tributária”, disse Mello Lopes.

De acordo com os dados do Aço Brasil, a produção de aço bruto totalizou 17,24 milhões de toneladas no primeiro semestre no Brasil, o que representou um recuo de 1,4%. As exportações também caíram 2,4% no período, chegando a 6,71 milhões de toneladas. E as importações apresentaram queda de 0,6% de janeiro a junho, totalizando 1,25 milhão de toneladas.

Segundo o instituto, o consumo aparente de aço ficou praticamente estável no primeiro semestre, alta de 0,2%. De janeiro a junho foram consumidos no Brasil 10,36 milhões de toneladas ante 10,35 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. Já as vendas internas chegaram a 9,24 milhões de toneladas, alta de 1,3%.

Mello Lopes disse ainda que o problema de abastecimento de pelotas de minério de ferro que ocorreu por causa da paralisação de unidades da Vale, deve permanecer por mais tempo, mesmo com a liberação parcial das operações do complexo de Vargem Grande, em Nova Lima (MG), pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

Isso porque, segundo ele, a agência não liberou a operação do terminal ferroviário que a companhia opera no complexo vizinho de Fábrica. “A ANM liberou a operação em Vargem Grande somente a seco. Com isso, a Vale terá que comprar 500 mil toneladas por mês de pellet-feed de terceiros”, afirmou. “Sem a ferrovia liberada, vamos continuar com o ‘malabarismo logístico’, com material oriundo do Maranhão para abastecer as usinas siderúrgicas do Sudeste.” 

Fonte: IABr – Instituto Aço Brasil 
Seção: Siderurgia 
Publicação: 30/07/2019

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