Crise ameaça recuperação da economia

31 de maio de 2017

O agravamento da crise política brasileira impactará diretamente o desempenho da economia nacional, que já ensaiava os primeiros sinais de recuperação após viver uma das piores retrações do período recente. E se nos últimos meses a recessão econômica começava a dar lugar a indicadores macroeconômicos positivos, juros menores e atividades industriais com desempenhos favoráveis, agora a incerteza volta a pairar sobre o futuro do País.

Esta é a avaliação de especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, que acreditam em um adiamento ainda maior na recuperação da economia brasileira após os últimos desdobramentos das investigações de corrupção e lavagem de dinheiro da Operação Lava Jato, que atingiram, inclusive, o presidente da República Michel Temer (PMDB).

Para o economista e professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Mauro Rochlin, embora a recuperação da economia brasileira ainda ocorresse de forma tênue, os movimentos de retomada marcavam o momento de saída da recessão, com indicadores que confirmavam a expectativa de um futuro crescimento. No entanto, para o especialista, é justamente a combinação destes fatores que torna a crise política e institucional ainda mais problemática.

“Um dos principais indicadores que ancoravam as apostas em uma recuperação do Brasil dizia respeito aos níveis de confiança dos agentes econômicos. Existia um crédito referente à efetivação das ações no País, principalmente em relação ao governo e à possibilidade de aprovação das reformas que tramitam no Congresso Nacional”, avaliou.

Empregos – Entre os indicadores que apontavam para a saída da recessão, conforme o professor da FGV, estava o de geração de emprego do País. Para se ter uma ideia, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), somente em abril foram criadas 59.856 vagas de emprego formal. Esse foi o primeiro saldo positivo para o mês desde 2014, quando o País criou 105 mil vagas.

Porém, segundo ele, diante dos fatos, o prazo de recuperação nacional deverá ser estendido. Isso porque o nível de incerteza quanto ao futuro do País voltou a crescer ao mesmo tempo em que os patamares de confiança voltaram a cair. “Essa combinação de fatores vai refletir não somente na retomada dos investimentos privados e que está diretamente relacionada à geração de emprego, mas também na própria aprovação de medidas importantes como as reformas previdenciária e trabalhista”, completou.

De maneira complementar, o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, enfatizou que as decisões relacionadas a gastos e investimentos possivelmente ficarão congeladas até que o cenário político volte a se estabilizar. Com isso, conforme ele, alguns setores que já ensaiavam alguma recuperação poderão ser prejudicados.

“Esses setores que vinham apresentando algum revés na curva de recessão, como de automóveis e bens de capital, por exemplo, são justamente os que mais dependem do estado de confiança, seja do ponto de vista de demanda ou de investimento”, disse. 
 

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Economia
Publicação: 31/05/2017

Compartilhe nas redes sociais