CSN começa a selecionar para Aços Longos

17 de setembro de 2012

A CSN já iniciou o processo de seleção das 630 pessoas que vão trabalhar na fábrica de aços longos da siderúrgica. Os interessados poderão se cadastrar através do site da empresa, e algumas contratações – de pessoas que vão começar a trabalhar antes mesmo de a usina ficar pronta – já estão sendo efetuadas. A unidade, que está em fase de montagem eletromecânica, deve começar a operar no fim de agosto do ano que vem, e as contratações devem se intensificar a partir de junho.

A unidade de aços longos será uma usina completa, com quase meio quilômetro de extensão, ocupando uma área de 89,4 mil metros quadrados (mais ou menos o equivalente a nove campos de futebol), dos quais 46,38 mil metros quadrados são de área construída.

A obra é a maior em andamento no Médio Paraíba Fluminense, e só fica atrás da obra de construção da usina nuclear Angra 3, na Costa Verde, em quantidade de mão de obra.

A fábrica vai produzir 400 mil toneladas de vergalhão e 100 mil toneladas de fio-máquina por ano. O investimento na unidade foi orçado inicialmente em US$ 350 milhões (cerca de R$ 700 milhões), mas esse número está sendo revisto. Apesar de ser muito grande, a usina será silenciosa e dotada de modernas soluções para evitar a poluição do ar.

Segundo o gerente da Usina de Aços Longos, Fernando Cândido, o ruído emitido pela usina, para uma pessoa que estiver á beira da cerca da CSN, na Vila Santa Cecília, será de 50 decibéis – mais ou menos equivalente ao ruído de um aparelho de ar condicionado.

Para conseguir isso, a usina será totalmente revestida com um ‘sanduíche’ de placas de aço com uma espécie de recheio de fibra de vidro, que fornece isolamento térmico e acústico, evitando que calor e ruído ‘vazem’ da unidade para o ambiente. O forno elétrico a arco da unidade, por exemplo, vai ser enclausurado numa ‘dog house’ (em tradução literal, ‘casa de cachorro’), que vai isolar o equipamento, garantindo que não haja passagem de barulho para o meio ambiente.

– Estamos praticamente em frente a um hospital, mas ninguém que estiver internado lá vai perceber quando a Aços Longos estiver funcionando. Ela vai fazer menor barulho do que o trânsito – afirma Fernando.

Além de silenciosa, a unidade será limpa. Uma série de equipamentos antipoluição, principalmente os chamados despoeiradores, que aspiram as partículas sólidas e evitam que elas sejam lançadas no ar. Haverá despoeiradores em todas as unidades onde possa haver lançamento de partículas, e mesmo esses equipamentos antipoluição serão dotados de isolamento acústico.

Ainda no que diz respeito ao aspecto ambiental, a CSN Aços Longos vai reutilizar 97% da água usada no processo de fabricação de aço. Os 3% restantes representam perdas por evaporação.

Um negócio da China

Os equipamentos da CSN Aços Longos foram todos adquiridos na China, de alguns dos fabricantes mais conceituados do mundo – empresas com sede na Europa, principalmente. Junto com os equipamentos, veio um grupo de 40 técnicos chineses, liderados por Liu Chun Ming.

Liu afirmou que ele e seus subordinados estão no Brasil a trabalho, não a passeio, mas não deixou de elogiar duas instituições brasileiras: a cerveja e o churrasco, que ele achou muito bons.

A geladeira que ‘vira’ prego

A usina será do tipo semi-integrada, (onde não há a produção de gusa) e vai usar, como principal matéria-prima, os metálicos, mais conhecidos como sucata. O aço dos automóveis, geladeiras, máquinas de lavar e outros produtos vai ser comprado dos ferros-velhos, derretido e transformado em vergalhões – usados principalmente na construção civil – e fios-máquina, que são a matéria-prima para uma grande variedade de produtos: telas, arame, parafusos e o prego do título.

Para alimentar a usina de aços longos, a CSN planeja comprar 40 mil toneladas de sucata por mês. Numa conta aproximada, isso equivale a comprar uma tonelada por minuto.

– Além de ser útil para a CSN, o uso de sucata também é benéfico para o meio ambiente. São quarenta mil toneladas de aço reaproveitadas a cada mês – afirma Fernando.

A Companhia prevê adquirir sucata na região, no Grande Rio e em outros estados para suprir suas necessidades.

Além da sucata, a CSN Aços Longos também vai usar gusa sólido como matéria-prima. Esse material será obtido na própria Usina Presidente Vargas.

Demanda

A decisão de produzir aços longos foi tomada pela CSN devido ao grande crescimento da demanda por esses produtos no mercado brasileiro. Diferentemente dos aços planos, que têm tido um aumento de consumo pequeno e ainda enfrentam uma competição feroz dos aços importados, o mercado de aços longos tem crescido a taxas de 7% ao ano nos últimos quatro anos.

Esse aumento de demanda tem sido impulsionado, principalmente, pelo crescimento da construção civil. Os vergalhões – 80% da produção projetada da CSN Aços Longos – estão entre os materiais de construção mais usados.

A CSN Aços Longos não vai produzir perfis (as vigas de aço) nem trilhos, por motivos técnicos. Fabricar esses produtos exige a compra de outros tipos de laminador de aços longos.

No entanto, nada impede que a Companhia decida investir também nesse tipo de produto, caso o crescimento da demanda justifique.

Fonte: Diário do Vale
Seção: Siderurgia
Publicação: 17/09/2012

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