CSN prepara estudo para mostrar malefício de divisão da Usiminas

29 de agosto de 2016

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se posicionou de maneira mais firme contra a possível divisão da Usiminas entre seus controladores e prepara um estudo para mostrar a destruição de valor que a empresa separada poderia trazer. O objetivo é conseguir mitigar ao máximo as perdas na venda das ações que tem da concorrente, frente ao investimento que foi feito cinco anos atrás.

Os resultados preliminares do levantamento mostram que há potencial de perdas econômicas, comerciais, industriais e empresariais, além de não fazer sentido para o mercado de capitais. Segundo a siderúrgica, o único sentido seria “egoístico” para resolver o conflito entre os controladores, Nippon Steel & Sumitomo Metal e Ternium-Techint.

“A partir do momento que soubermos como a operação será realizada, vamos tomar todas as medidas possíveis para nos proteger. Vamos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Justiça, que pode dar direito a perdas e danos para todos os investidores minoritários”, afirmou Fábio Spina, diretor jurídico da CSN, em entrevista ao Valor.

O que a CSN quer é impedir “perda de seu patrimônio” na hora de se desfazer das ações da concorrente, pelas quais pagou mais de R$ 3 bilhões – e hoje correspondem a 17% do capital social. O Cade já condenou a empresa a vender esses papéis.

O ponto principal em questão, para a CSN, é que a empresa mineira perderia tudo que julgou ser importante no momento que incorporou a antiga Cosipa, de Cubatão (SP), à sua estrutura. A operação, segundo fato relevante da época, em 2009, tinha como objetivo “a busca de maior sinergia administrativa e operacional, além da redução de custos e otimização de recursos”.

De acordo com o estudo encomendado pela CSN, e que deve ficar pronto “em algumas semanas”, a primeira perda seria de sinergias entre os negócios. Além disso, possuir apenas uma usina seria prejudicial, já que paradas de manutenção comprometeriam mais a capacidade produtiva da empresa. A diluição de custos com escopo e escala também se perderia com a divisão.

“Temos uma noção agora das grandes linhas de destruição”, afirmou Spina. “Não faz sentido para a empresa ser fatiada assim. Há possibilidade também de perder produtos em seu portfólio, ter maior custo de dívida, já que bancos geralmente aumentam juros a companhias menores, e até perder clientes.”

O momento, acrescenta o diretor da CSN, é de se esforçar para enfrentar a concorrência da China, que inunda o mercado mundial com seu aço mais barato. O próprio Yoichi Furuta, conselheiro da Usiminas indicado pela Nippon Steel, declarou no mês passado em entrevista coletiva que em mercados com excesso de capacidade, como é o caso brasileiro atualmente, a consolidação é quase inevitável.

Ternium e Nippon Steel já admitiram que a divisão da Usiminas seria uma boa alternativa no momento. O cenário mais viável seria que os ítalo-argentinos ficassem com a antiga Cosipa e os japoneses, com Ipatinga (MG). Procuradas, ambas preferiram não comentar o assunto.

Mas divisão da siderúrgica mineira não necessariamente seria ruim. Um gestor de recursos de um grande banco, que acompanha o setor há anos, acredita que o único grande problema seria decidir quem fica com a Soluções Usiminas, que agrega a rede distribuidora do grupo e seus centros de serviço.

“As sinergias que haviam para serem capturadas já estão mais que ajustadas. Pode até haver alguma perda de clientes, mas hoje unida a chance de ela perder é muito maior”, disse a fonte, que não quis se identificar. “Agora só tem estresse e ela dividida pode fazer algo. As empresas vão ter que mostrar quem é mais competente nesse cenário.”

A Mineração Usiminas (Musa), que poderia ser outro ponto de conflito, na verdade poderia ser dividida facilmente, já que hoje sua capacidade produtiva é de 12 milhões de toneladas por ano, mas a produção encontra-se em ritmo anualizado de 3 milhões de toneladas em 2016.

Fonte: Portos e Navios
Seção: Siderurgia
Publicação: 29/08/2016

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