CSN vai à Justiça para barrar aumento de capital na Usiminas

27 de abril de 2016

Júlio Wiziack e David Friedlander

A CSN pediu à Justiça que suspenda o processo de aumento de capital na Usiminas proposto pelos controladores, a Nippon Steel e a Ternium. Na ação, a siderúrgica acusa os sócios japoneses e ítalo-argentinos de terem desviado R$ 22 bilhões em contratos da companhia com terceiros.

A siderúrgica de Benjamin Steinbruch tem 17% da Usiminas. O pedido ao Judiciário é para que a empresa de que é sócia seja obrigada a liberar sua mineradora Musa a distribuir dividendos represados, que seriam usados para reforçar o caixa da própria Usiminas, que está à beira da recuperação judicial.

A CSN argumenta que Nippon Steel e Ternium estão destruindo a companhia e vão ganhar ainda mais poder se o tal aumento de capital acontecer como eles planejaram. A ação foi protocolada na segunda (25), em Belo Horizonte (MG).

Procurados, os representantes da Ternium e da Nippon Steel não quiseram se pronunciar.

Afundada em dívidas e com prejuízo de R$ 3,2 bilhões em 2015, a Usiminas precisa de dinheiro novo para tentar sair do buraco em que se encontra.

A Nippon Steel anunciou que vai desembolsar R$ 1 bilhão na operação. Se os demais sócios não participarem, serão diluídos a ponto de não terem mais influência na companhia.

“A CSN não é contra o aumento de capital. É contra o modo como eles [os controladores] querem fazer. Vão prejudicar os acionistas minoritários”, diz Paulo Caffarelli, diretor-executivo da CSN.

A empresa de Steinbruch quer interferir nos rumos da Usiminas porque nos últimos anos investiu R$ 3 bilhões na compra de participação na empresa. O empresário, que apostou numa estratégia para tomar o controle de sua concorrente, agora teme que essa fatia vire pó. Hoje, essas ações valem R$ 500 milhões.

Suspeitas

Auditoria encomendada pela CSN mostrou que, desde 2012, quando a Ternium entrou na Usiminas, o valor dos contratos da companhia e fornecedores de equipamentos e tecnologia passou de R$ 5,7 bilhões para R$ 22 bilhões, em 2014.

Alguns desses fornecedores são controlados pela Nippon Steel, outros são ligados a ela. A auditoria afirma ainda que essas empresas foram favorecidas com preços acima da média de mercado.

Finalmente, a CSN levanta suspeitas sobre a efetiva realização desses contratos, já que, apesar dos desembolsos bilionários, as fábricas da Usiminas foram sucateadas.

Desentendimento

Para a CSN, a Ternium concordou com essa situação para poder nomear o presidente e os principais executivos da Usiminas. Em 2014, os argentinos da Ternium e os japoneses da Nippon Steel se desentenderam.

A CSN tenta reverter decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que a impediu de nomear representantes para o conselho de administração da Usiminas. A decisão deve ocorrer nesta quarta (27).

“Queremos ter conselheiro lá para proteger e fiscalizar o patrimônio dos acionistas da CSN”, diz Fábio Spina, diretor jurídico da companhia. “E estamos estudando a responsabilização dos conselheiros que estão lá e não cumpriram seu papel.” 

Fonte: Folha de São Paulo
Seção: Siderurgia
Publicação: 27/04/2016

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