Custo de produção quase empata com preço de mercado

26 de maio de 2015

Ludmila Pizarro

O custo da tonelada de minério de ferro produzida pelo sistema Minas-Rio, da Anglo American, é hoje praticamente o preço que a commodity é vendida no mercado. Enquanto o preço de venda está em cerca de US$ 60, o custo de produção da mina está entre US$ 55 e US$ 65. Para o presidente da unidade de negócio minério de ferro Brasil da Anglo, Paulo Castellari Porchia, entretanto, esta situação, tendo em vista o pouco tempo de operação da mina, “está ótimo”. O executivo relativiza o custo atual uma vez que o empreendimento está na fase de ramp up, ou seja, em um período, que dura entre 18 e 20 meses, de melhorias de produto e de operação que antecede a utilização plena da capacidade de produção. “O custo neste momento não está ruim, já que estamos iniciando a produção”, afirma Porchia. No planejamento da empresa, o custo médio nos primeiros 18 anos de operação da mina deve fechar entre US$ 33 e US$ 35.

Os custos devem cair, segundo o executivo, com melhorias operacionais que serão implantadas, mas ele também conta com a desvalorização do real, que pode ser positiva, já que o custo é medido na moeda nacional mas a venda é em dólar. A inflação, porém, é um fator que pode fazer o ganho cambial se perder. “O mercado está se reorganizando, é muito difícil saber se a composição do custo vai subir ou descer”, analisa o diretor de operação do Minas-Rio, Rodrigo Vilela. Um novo estudo de custo deve ser apresentado pela empresa em julho deste ano.

A qualidade do produto também é apresentada por Paulo Porchia como um diferencial que deve ajudar a empresa a vendê-lo por um valor um pouco acima do mercado. “Conseguimos no beneficiamento passar de um teor de 39% na mina para 68% no produto final”, diz. Ele também afirma que este teor está acima da média encontrada em outros empreendimentos no Brasil, Austrália, China, Índia, África e América do Norte, além de um teor menor de contaminantes (alumina e sílica). “O ativo é de primeira classe”, avalia Porchia.

Mesmo assim, o presidente nega que a empresa tenha interesse em expandir o negócio ou aumentar o portfólio de produtos. “Vamos continuar fazendo o que a Anglo American sabe fazer bem, que é mineração de produtos diversificados”, declara. “Nosso limite de produção é o limite do mineroduto que é 29,8 milhões de toneladas”, explica o diretor de implantação do Minas-Rio, Luis Renato Lage Gonçalves.

O empreendimento não está sendo negociado com outros grupos, segundo Paulo Porchia. “Não existe, hoje, negociação neste sentido”, afirma.

Fonte: O Tempo
Seção: Mineração
Publicação: 26/05/2015

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