Dólar chega ao maior patamar em quase 6 anos

3 de outubro de 2014

Em dia de queda nas principais bolsas internacionais, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o cenário eleitoral brasileiro amplifica a aversão a riscos envolvendo ativos do país. Esse novo dia de mau humor fez o dólar subir 1,46% e fechar a R$ 2,4830 na compra e a R$ 2,4850 na venda, o maior patamar desde 8 de dezembro de 2008, quando a moeda americana terminou o pregão cotada a R$ 2,501. Já o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário local, fechou em queda de 2,32%, aos 52.858 pontos.
 
 O operados Luis Fernando Moreira, da Dascam Corretora de Câmbio, afirmou que o cenário eleitoral colabora para esse movimento de alta de dólar e que em breve a divisa deve atingir R$ 2,50, patamar em que já está no mercado futuro da BM&FBovespa. Os contratos negociados com vencimento em novembro já estão nesse patamar e, para dezembro, foram negociados a R$ R$ 2,522.
 
 “A alta está ligada a fatores políticos, com a subida de Dilma Rousseff nas pesquisas de intenções de voto. E também há os dados ruins da economia, o que também contribuiu para uma depreciação do real”, explicou.
 
 Moreira acrescentou, no entanto, que o dólar está ganhando força frente a diversas moedas, tanto de países desenvolvidos como emergentes. A possibilidade de novos incentivos por parte do Banco Central Europeu (BCE), para estimular a economia nos países da zona do euro, pode arrefecer esse movimento.
 
  também o cenário político que intensificou a queda da bolsa. O diretor da Mirae Asset, Pablo Spyer, afirmou que o movimento do Ibovesta ontem foi um mix do mau humor externo com o cenário político. No entanto, o que prevalece é a preocupação em relação à disputa pela Presidência da República.
 
 “A queda da Bovespa está exacerbada. Por outro lado, há um fluxo forte de estrangeiro na bolsa, que é o maior volume da história. Esse grupo de investidores, que visa o longo prazo, está vendo uma oportunidade de compra. Mas a volatilidade está forte porque os grandes investidores locais estão especulando no curto prazo com base nas eleições”, explicou.
 Rejeição – Em sua grande parte, os agentes do mercado financeiro desaprovam a política econômica adotada no governo Dilma, e por isso preferem um candidato da oposição. Nesse sentido, as pesquisas de intenção de voto acabam influenciando nos movimentos do mercados. Na segunda-feira à noite, levantamento do Datafolha mostrou que Dilma está com 40% das intenções de voto para o primeiro turno, 15 pontos a mais do que o segundo colocado, a candidata Marina Silva (PSB), seguida de perto por Aécio Neves (PSDB), que tem 20%.
 
 O gerente de renda variável da corretora H.Commcor, Ari Santos, afirmou que há muita especulação em relação a novas pesquisas eleitorais. Além disso, ele acredita que a queda na bolsa já começa a antecipar uma piora no cenário econômico.
 
 “Está todo mundo aguardando pesquisas e especulando sobre a possibilidade de um segundo turno ou não. Além disso, pode ocorrer uma antecipação da piora do cenário econômico. A Vale, com o preço do minério em queda, deve apresentar resultados ruins no terceiro trimestre. A alta do dólar também encarece o petróleo”, argumentou.
 
 Para Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, o foco será eleição até sexta-feira, no mínimo. “O mercado está parado. Está todo mundo esperando o debate para repercutir na sexta-feira.  uma semana decisiva. O mercado está bem apreensivo”

Fonte: Diário do Comércio 
Seção: Economia 
Publicação: 02/10/2014

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