Economia pode retomar crescimento a partir de 2017, prevê Itaú Unibanco

18 de fevereiro de 2016

Os últimos indicadores de confiança da indústria e de estoques indicam que a economia brasileira pode voltar a crescer em 2017, avaliam economistas do Itaú Unibanco.

A instituição estima expansão de 0,3% para o Produto Interno Bruto do País (PIB) no próximo ano, após uma queda de 4% no indicador prevista para 2016. A recuperação da economia deve vir já a partir do primeiro trimestre de 2017, período em que o PIB registrará crescimento de 0,1% ante o último trimestre de 2016, segundo as projeções do Itaú Unibanco divulgadas ontem a jornalistas.

A melhora da confiança do setor industrial é um dos fatores contemplados no cenário de recuperação. Para exemplificar, a instituição citou o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV que mostrou avanço 2,6 pontos entre dezembro e janeiro, ao passar de 75,4 para 78,0 pontos.

O economista do Itaú Felipe Salles observou ainda que a queda do nível dos estoques, registrada nos últimos meses, fez com que a produção da indústria se adequasse à demanda. “A produção já está até um pouco menor do que a demanda. Se tudo continuar do jeito que está hoje, esses estoques vão continuar caindo e, daqui a alguns meses, a indústria vai ter que começar a produzir um pouco mais para se adequar novamente à demanda”, analisou o economista.

Salles ressaltou que apesar desses sinais de retomada econômica serem ainda “incipientes”, eles mostram “alguma melhora” em relação aos indicadores de três meses atrás.

O economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, completou afirmando que os indicativos de retomada do crescimento do PIB são preliminares e que ainda há muitas incertezas econômicas diante da crise fiscal e política do atual governo.

‘Sensação térmica’

Em 2016, a queda do PIB deve chegar a 4%, porém com “sensação térmica” de 5%, disse Goldfajn. Isso porque, no cálculo do indicador econômico, o setor externo deve ter contribuição positiva de 1%. “O mercado doméstico tem uma queda maior de PIB do que esses 4%, a absorção doméstica está caindo mais”, esclareceu.

O economista-chefe do Itaú explicou ainda que a maior parte da retração do PIB de 2016 (-2,6%) será resultado de uma herança dos indicadores recessivos do ano passado, além de uma queda de 1,0% no PIB do primeiro trimestre de 2016, refletindo a retração da produção industrial e das vendas do varejo. Esse será o maior recuo trimestral do PIB em 2016. Depois esse período, o Itaú estima uma queda adicional de mais 0,5% no PIB no decorrer deste ano.

Goldfajn avaliou que, a partir do segundo semestre, a economia brasileira tende a se estabilizar, pois todos os ajustes decorrentes da recessão já terão sido realizados.

“Eu não acho que terá uma grande novidade. Recessão tem a ver não só com fluxo, mas também com o nível. […] O que vai acontecer é que o PIB vai cansar de cair”, comentou o economista-chefe.

De acordo com projeções da instituição, o PIB, em nível, já caiu 7,5% desde março de 2014 e deve cair mais 2% este ano.

Juros

Ainda segundo projeções do Itaú, a combinação entre demanda fraca e câmbio estável deve contribuir para uma queda da inflação e, consequentemente, para uma redução da taxa básica de juros (Selic) a 12,75% já no final de 2016. O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) deve recuar para 7% em 2016 e para 5% em 2017. “O déficit em conta corrente deve chegar a zero até 2017. Isso ajuda a estabilizar o câmbio”, afirmou Goldfajn. 

Fonte: DCI
Seção: Economia
Publicação: 18/02/2016

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