Especial: Comportamento da produção nacional do aço

23 de setembro de 2016

Às quintas-feiras o Infomet traz aos seus leitores uma seção especial na qual abordará assuntos variados, atuais e de destaque nas manchetes abrangendo o tema de uma forma mais completa.

Hoje você poderá acompanhar um compilado das informações mais relevantes sobre o comportamento da produção nacional do aço:

Em maio deste ano Pedro Galdi, analista da consultoria WhatsCall, declarou: “este dificilmente será o ano da recuperação da indústria siderúrgica no país. A produção acompanha o mercado interno, que está ruim. Com o desemprego em alta, a venda de carros deve continuar fraca. Isso provoca efeito direto na demanda por aço”.

Na ocasião, os resultados da produção brasileira de aço bruto no mês de abril havia registrado o índice mais baixo dos últimos oito anos, ao cair 20,6 por cento sobre o mesmo mês do ano passado, para 2,3 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil – IABr.

Com a queda, a produção acumulada no primeiro quadrimestre do ano somou 9,7 milhões de toneladas, 14 por cento menos do que o produzido um ano antes, informou a entidade.

A produção de abril foi a menor para um único mês desde julho de 2009, quando o setor registrou volume de 1,9 milhão de toneladas.

A queda ocorreu em meio à redução da capacidade do parque produtivo do setor, com a parada de alto-fornos por siderúrgicas como Usiminas e CSN.

Por conta dessas quedas, em junho o IABr apresentou uma nova estimativa para a produção de aço bruto no País em 2016: 31,0 milhões de toneladas, o que representa queda de 6,8% em relação a 2015. A projeção anterior, divulgada em fevereiro, era de uma queda mais leve, na ordem de 1,0%.

No entanto, em julho a produção brasileira de aço bruto atingiu o maior volume mensal do ano, somando 2,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,4 % sobre junho. Com o novo dado, executivos do setor citaram que estão “notando indicações de início de melhora na demanda por aço no país”, que tem sofrido há meses diante da recessão.

Dentre eles, os executivos da Companhia Siderúrgica Nacional anunciaram que a empresa religaria no início de outubro alto-forno parado desde janeiro. E o grupo Gerdau comentou que estava vendo alguns sinais de melhora na confiança na economia.

Contudo, na análise do ano, de janeiro a agosto de 2016, 20,3 milhões de toneladas de aço saíram das usinas do País, um recuo de dois dígitos (-10,6%), mas em ritmo menor que nos meses anteriores para esta base de comparação. Apesar da desaceleração mais branda na produção, vendas e consumo seguem muito fracos. 

“Houve uma pequena inflexão, até pela melhora do cenário político, mas ainda não nos permite fazer uma revisão do quadro”, diz o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. As projeções pessimistas do setor para 2016 estão mantidas: queda de 6,8% na produção, de 10% nas vendas internas, de 14,4% no consumo aparente e de 28,8% no valor das exportações. 

O consumo aparente de aço, que inclui produtos nacionais e importados, continuou em terreno negativo em agosto. O indicador caiu 10,2%, para 1,6 milhão de toneladas e, no ano, já acumula um recuo de 20,7% (12 milhões de toneladas). A expectativa é fechar 2016 retornando ao patamar de consumo de uma década atrás.

Produção externa

Para enfrentar o excesso de capacidade de produção de aço, a China e a União Europeia fecharam acordo para estabelecer um mecanismo bilateral em meados este ano, de acordo com o ministro chinês de Relações Exteriores, Wang Yi.

A China é, de longe, o maior produtor global de aço e sua produção anual é quase o dobro da dos 28 países da UE.

Produtores rivais têm acusado a China de vender aço no mercado externo abaixo de preços de custo após uma desaceleração da demanda doméstica, provocando uma crise no setor, que levou a demissões e fechamento de usinas.

 A China reduziu sua produção de aço em mais de 13 milhões de toneladas no primeiro semestre, o equivalente a apenas 30% da meta estabelecida para o ano, segundo o vice-ministro de Indústria e de Tecnologia da Informação do país, Feng Fei.

Na segunda metade de 2016, o país asiático irá ampliar os esforços para diminuir o excesso de capacidade na indústria siderúrgica, afirmou Feng. “Estou confiante de que conseguiremos cumprir a meta deste ano”, disse o ministro.

Já noutra potência asiática, o Japão, a produção japonesa de aço bruto subiu pelo quarto mês consecutivo em julho, puxada por exportações, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Associação de Ferro e Aço do Japão.

No mês passado, a produção de aço bruto do Japão subiu 0,5 por cento sobre um ano antes, para 8,89 milhões de toneladas. Na comparação com junho, houve crescimento de 1,3 por cento.
A expansão ocorre apesar de uma série de sinais econômicos fracos que levantaram dúvidas sobre os esforços do governo japonês em retomar o crescimento do país e encerrar décadas de deflação.

O humor do setor manufatureiro do Japão em agosto caiu ao menor nível desde 2013, ano em que o banco central do país embarcou em uma agressiva campanha de afrouxamento monetário para combater a estagnação da economia.

“Os ganhos no setor siderúrgico foram limitados uma vez que a demanda doméstica por veículos e construção não melhorou muito”, disse um pesquisador da Federação de Ferro e Aço do Japão. Ele citou que a produção de laminados a quente caiu pelo 21º mês consecutivo em julho.

 

Fonte: Infomet
Seção: Especial
Publicação: 22/09/2016

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