Especial: Confiança da Indústria

21 de julho de 2016

Às quintas-feiras o Infomet traz aos seus leitores uma seção especial, na qual abordará assuntos variados, atuais e de destaque nas manchetes abrangendo o tema de uma forma mais completa.

Hoje você poderá acompanhar um compilado das informações mais relevantes sobre Confiança da Indústria.

 Histórico

A produção industrial brasileira registrou em 2015 o seu pior desempenho histórico com recuo de 8,3 por cento, abalada por fortes perdas de investimentos, e continuará a enfrentar dificuldades para se recuperar em 2016 diante da confiança estremecida.

Somente em dezembro a produção caiu 0,7 por cento sobre o mês anterior, a sétima queda seguida, numa sequência inédita de perdas na série histórica iniciada em 2002.

Em relação ao mesmo mês de 2014, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a queda foi de 11,9 por cento, 22º resultado negativo consecutivo.

Com isso, a contração acumulada em 2015 superou com folga o pior desempenho registrado anteriormente pela indústria, a queda de 7,1 por cento vista em 2009, no auge da crise internacional.

A indústria nacional penou no ano passado com a forte contração econômica, a profunda fraqueza da confiança de empresários inibindo assim os investimentos e a dos consumidores inibindo o consumo. Isso em um momento de alta do desemprego e com a inflação em dois dígitos.

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Janeiro

2016 iniciou o ano com melhora no Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançando 2,6 pontos em janeiro, de acordo com dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Naquele mês, o ICI atingiu 78,0 pontos, maior nível desde março de 2015, graças principalmente à alta de 3,5 pontos do Índice da Situação Atual (ISA), para 78,5 pontos.

Segundo o que explicou o superintendente-adjunto para ciclos econômicos da FGV/IBRE, Aloísio Campelo Jr., “a alta mais expressiva do ICI em janeiro decorreu principalmente dos avanços no processo de normalização de estoques do setor, à custa da manutenção de níveis muito baixos de utilização da capacidade produtiva”.

Além disso, Campelo também via fatores objetivos para que o índice parasse de cair. Ele lembrou que o consumo das famílias despencou no ano passado, as pessoas ficaram mais cautelosas, reduziram as compras e fizeram um ajuste. “Os orçamentos domésticos continuam apertados, mas, daqui para a frente, as taxas começam cair de forma menos intensa, pois a base de comparação é fraca”, argumenta.

O economista lembra que esse movimento provocado pela base fraca de comparação é esperado nos ciclos da economia.

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Fevereiro

O ICI recuou 1,5 ponto em fevereiro ante janeiro, passando de 76,2 para 74,7 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice alcançou o menor nível desde setembro de 2015. O ICI estava 11,6 pontos abaixo do registrado no mesmo mês de 2015. Entre janeiro e fevereiro, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 0,5 ponto porcentual, para 73,6%, o menor nível da série histórica, com início em 2001.

A queda do ICI em relação ao mês anterior foi determinada principalmente pelo recuo de 2,8 pontos do Índice de Expectativas (IE), para 72,6 pontos, o menor da série histórica. O ISA também retrocedeu, mas bem menos (0,5 ponto), ficando em 77,1 pontos. Dos 19 segmentos pesquisados, 10 registraram queda da confiança no período.

Em nota à imprensa, o superintendente Adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Jr., escreveu que “o resultado de fevereiro reforçou a suspeita de que a alta da confiança industrial nos últimos meses poderia não se sustentar ao longo do primeiro semestre”. “A queda do ICI devolve mais da metade da alta acumulada entre o mínimo histórico, ocorrido em agosto a janeiro. Além de sinalizações de que a demanda interna continuou enfraquecendo, a pesquisa mostrou uma piora expressiva das expectativas em relação aos próximos meses”, afirma Campelo Jr.

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Março

O ICI avançou 0,4 ponto em março ante fevereiro, ao passar de 74,7 pontos para 75,1 pontos no período, informou a FGV. O aumento no indicador em março foi decorrente da melhora das avaliações do setor sobre a situação atual, apesar da piora nas expectativas para os próximos meses. O ISA aumentou para 78,6 pontos em março, o maior patamar desde abril de 2015. No entanto, o IE recuou para 72,0 pontos, o menor nível da série histórica.

“Apesar da ligeira alta da confiança em março, os resultados da Sondagem da Indústria continuaram de certa forma dúbios, refletindo o ambiente de elevada incerteza econômica e política. A percepção em relação à situação atual melhorou em função da continuidade do movimento de ajuste dos estoques”, avaliou, na ocasião, Aloisio Campelo, em nota oficial.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) ficou relativamente estável em março, aos 73,7%, 0,1 ponto porcentual acima do registrado mês anterior, quando estava no piso histórico. 

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Abril

O ICI do Brasil subiu em abril pelo segundo mês seguido graças a forte melhora das expectativas e chegou ao maior nível em um ano, informou a FGV. 

 O ICI apresentou ganho de 2,4 pontos e foi a 77,5 pontos no mês de abril, após alta de 0,4 ponto no mês anterior. Foi o maior patamar desde abril de 2015. 
  
 O resultado decorreu principalmente do avanço de 3,6 pontos do Índice de Expectativas (IE), para 75,6 pontos. O ISA também avançou, em 1,2 ponto, para 79,8 pontos. 

Ainda segundo a FGV, o NUCI avançou 0,6 ponto percentual e atingiu 74,3 por cento em abril na comparação com março. 

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Maio

A combinação da percepção de melhora na demanda com a perspectiva de redução de incertezas em meio à mudança de governo permitiu que o ICI subisse mais uma vez em maio.

O ICI apurado na prévia da sondagem de maio subiu 1,3 ponto na comparação com o resultado final de abril, para 78,8 pontos, informou a FGV. Foi o maior nível desde março de 2015 (79,5 pontos).

A prévia de maio mostra que o ISA subiu 1,9 ponto em maio ante abril, para 81,7 pontos, na terceira alta consecutiva do indicador. Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 0,7 ponto no período, para 76,3 pontos.

O Nuci da indústria atingiu 73,9% em maio, segundo a prévia da Sondagem da Indústria divulgada pela FGV. O resultado, já livre de influências sazonais, é menor do que o apurado no dado final da sondagem de abril, que foi de 74,3%.

A melhora do indicador em maio, puxada pelas avaliações sobre a situação atual, sinaliza ao menos duas coisas: é possível que a fase mais aguda de quedas na produção industrial já tenham passado e há a questão subjetiva, ligada à mudança de governo. Contudo, a melhora ligada ao cenário político, foi menos marcante do que na época do impeachment de Fernando Collor, em 1992, afirmou Campelo. Naquele período, a euforia entre os empresários industriais foi maior, tendo sido corrigida para baixo diante da percepção de que as dificuldades na economia persistiam, apontou o superintendente.

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Junho

 O ICI apurado na prévia da sondagem de junho subiu 3,9 pontos na comparação com o resultado final de maio, para 83,1 pontos, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi o maior nível desde fevereiro de 2015 (84,9 pontos).

“A alta do ICI na prévia de junho foi determinada principalmente pela melhora das expectativas em relação aos meses seguintes”, informou a FGV, em nota oficial.

A prévia de junho sinaliza que o ISA subirá 0,8 ponto em junho ante maio, para 81,3 pontos, na quarta alta consecutiva do indicador. Já o IE avançará 7 pontos, para 85,2 pontos, conforme a prévia de junho.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria atingiu 73,6% em junho, segundo a prévia da Sondagem da Indústria divulgada pela FGV. O resultado, já livre de influências sazonais, foi menor do que o apurado no dado final da sondagem de maio, que foi de 73,8%, e idêntico ao mínimo histórico, registrado em fevereiro de 2016.

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Cenário atual: Confiança do Empresário Industrial

A confiança do industrial engatou o terceiro mês seguido de melhora, mas ainda está abaixo da linha divisória que aponta otimismo, segundo a CNI. A Região Norte concentra o melhor índice, em relação à média geral.

Em julho, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) atingiu 47,3 pontos, alta de 1,6 ponto sobre o mês anterior. Um ano antes, o indicador marcava 37,2 pontos. O Icei varia de zero a 100, sendo que valores acima de 50 pontos indicam empresários confiantes.

Na avaliação da CNI, foram as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses que impulsionaram as altas. O indicador geral de expectativas em relação à situação das empresas e à economia subiu de 51,1 pontos, em junho, para 52,3 pontos em julho. Em julho do ano passado, o índice de expectativas marcava 42 pontos.

Apesar disso, o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, afirma que a recuperação da confiança dos empresários é condição fundamental, mas ainda insuficiente para a reativação da atividade. “É preciso criar também condições para que as expectativas se materializem na economia real”, destacou ele, em nota à imprensa.

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Fonte: Infomet
Seção: Especial
Publicação: 21/07/2016

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