Especialistas não enxergam crise generalizada no setor automobilístico mundial

5 de setembro de 2016

Júlia Arraes 

O mercado automobilístico mundial vive, hoje, mudanças significativas, tanto no ponto de vista da demanda quanto nas mudanças da forma de se pensar a mobilidade no mundo. 

Com a retração e desaceleração das economias de países emergentes, o segmento deve terminar o 2016 com um crescimento menor do que no ano passado. As montadoras e, principalmente, fornecedores de peças, são as que mais estão sofrendo na cadeia automotiva. 

Atualmente, a capacidade produtiva mundial é de 110 milhões de automóveis por ano, mas a produção real é 20% menor que isso. Na Rússia e no Brasil,a ociosidade da produção já ultrapassa os 50%. 

Para o economista Julio Hegedus Netto, com a migração das fábricas para os países emergentes, é impossível que não haja uma intereferência na produção global. 

A situação, porém, ainda não representa uma desaceleração. De acordo com um estudo da empresa de consultoria PWC, os mercados emergentes vão apresentar um crescimento mais consistente de veículos leves na próxima década.

De acordo com o professor da FGV Antonio Jorge Martin, uma prova de que o mercado está pensando a longo prazo é que as montadoras instaladas no Brasil nem consideraram a hipóteses de sair do país.

Além das questões macroeconômicas, a indústria automobilística está passando por mudanças de paradigmas. Tanto o usuário do carro quanto o mundo têm novas necessidades, com novas tendências de mobilidade e de sustentabilidade. 

Por isso, empresas como Google e Apple, grandes players da indústria de serviços e softwares, vêm investindo nos chamados carros inteligentes e carros autônomos. 

Ainda de acordo com o o professor da Antonio Jorge Martin , o foco do setor automobilístico está mudando. As empresas não venderão apenas o produto, mas também a prestação de serviços. 

O representante da PWC no Brasil, Luiz Vieira, acredita que é importante ainda que as multinacionais estejam mais atentas à cadeia automotiva, para que as montadoras consigam trabalhar em parceria com os fornecedores de peças.  

Estudos do Fundo Monetário Internacional estimam que o mercado está em expansão e que essa produção deve ser de 130 a 140 milhões em 2030.

No entanto, para os especialistas, o mercado mundial precisa recuperar o volume de vendas para utilizar melhor a capacidade produtiva mundial. O mercado americano é o que vem sustentando, de certa forma, a situação global. O pais bateu recorde de venda de automoveis em 2015. Foram 17 milhoes e 500 mil veículos comercializados, quase 6% a mais do que no ano anterior.

Fonte: CBN
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 05/09/2016

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