Executivo da Usiminas vai à Justiça contra presidente do conselho da empresa

31 de outubro de 2016

O presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, entrou com ação contra o presidente do Conselho de Administração da companhia, Elias Brito. Na ação, Rômel pede reparação de danos, sem estabelecer valor pré-definido. A existência do processo, que segue em segredo de justiça no Tribunal Estadual de Minas Gerais, foi revelada na noite desta quinta-feira (28/10) durante reunião do conselho da siderúrgica e mostra o nível de tensão entre os executivos e entre os sócios da companhia.

Rômel é ligado à japonesa Nippon Steel, um dos acionistas controladores da Usiminas, que trava uma disputa com a ítalo-argentina Ternium pelo comando da siderúrgica. A briga se arrasta por mais de dois anos. Ele assumiu interinamente a presidência da Usiminas em setembro de 2014, quando o então presidente Julián Eguren, ligado à Ternium, foi afastado após acusações de recebimento irregular de bônus.

Em maio deste ano, Rômel foi destituído e, para seu lugar, foi eleito Sergio Leite, então vice-presidente comercial da Usiminas, que havia se aproximado da Ternium. A eleição de Leite pelo Conselho de Administração foi por maioria e não por consenso, como prevê o acordo de acionistas. Ainda assim, Elias Brito, homem de confiança da Ternium que ocupa a presidência do conselho da Usiminas desde abril chancelou a votação.

Tensão em reunião do Conselho

A Nippon, então, entrou na Justiça e conseguiu anular a eleição de Sergio Leite. Rômel foi reconduzido ao cargo no início de outubro. Antes de voltar para a Usiminas ele entrou com a ação contra Brito, tornada pública na noite quinta-feira. Segundo uma fonte, não há disposição do executivo de abandonar o processo, mesmo após o retorno à Usiminas, pois ele se sente prejudicado pela decisão de Brito. Rômel ficou quatro meses sem emprego.

A tensão da reunião do Conselho de ontem, convocada para aprovar o balanço financeira da empresa divulgado nesta sexta-feira, ficou ainda maior quando oito dos 11 conselheiros manifestaram desconforto com a volta de Rômel. Dos oito, há conselheiros da Ternium, representantes dos minoritários, dos empregados e da Previdência Usiminas, além dos dois conselheios da CSN. Apenas os três conselheiros da Nippon mantiveram seu apoio ao executivo. Em maio, quando houve a votação para a eleição de Leite, os representantes da CSN se abstiveram.

— É uma indicação que não se trata mais de uma briga entre Ternium e Nippon — disse uma fonte a par das discussões do conselho.

Ternium: “ameaça à governança”

A tendência, segundo essa fonte, é que o conselho recorra à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pedir o retorno de Leite. A Ternium também deve fazer o mesmo na Justiça.

Procurado, Rômel de Souza não se manifestou. Em nota, a Ternium disse que “considera negativa a volta de uma diretoria interina à frente da companhia, que mostrou não ser capaz de liderar a empresa neste momento de crise do setor siderúrgico no Brasil e no mundo”. Disse ainda que “causa preocupação” o fato de Rômel ter aberto processo contra o presidente do Conselho. “A ação é uma clara ameaça à governança corporativa da Usiminas”. A Nippon não se manifestou.

A Usiminas disse que não comenta assuntos do âmbito de seus acionistas e reafiirmou “o compromisso da Diretoria Executiva de trabalhar com foco exclusivo na geração de resultados consistentemente positivos”.

Fonte: Época
Seção: Siderurgia
Publicação: 31/10/2016

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