FMI afirma que economia do Brasil está em situação difícil

14 de maio de 2015

O Brasil está em uma situação difícil. Essa é a primeira frase da avaliação anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia brasileira, documento conhecido como “Artigo IV”.

Em um resumo divulgado no mês passado, a instituição reduziu as projeções sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para contração de 1% este ano e crescimento de 0,9% em 2016.

O FMI afirma que o fraco desempenho da atividade reflete o impacto da baixa competitividade, a erosão da credibilidade das políticas econômicas – devido à persistente deterioração dos resultados fiscais e à inflação acima da meta – e a piora nas condições externas para o País. “Garantir um crescimento forte e sustentável é essencial para consolidar os ganhos impressionantes na inclusão social e requer, entre outras coisas, um reequilíbrio do consumo em direção a um crescimento liderado pelo investimento”, diz o relatório.

A instituição avalia que o crescimento decepcionante também é reflexo das medidas recentes de ajuste fiscal, das altas taxas de juros e dos cortes de investimento na Petrobras provocados pelas investigações da operação Lava Jato. Mesmo assim, o FMI argumenta que uma aplicação bem sucedida das medidas de ajuste deve ajudar a melhorar a atividade mais para frente. “O espaço para políticas de estímulo é limitado e o foco deveria ser aliviar gargalos na oferta e impulsionar a capacidade produtiva.”

Para o FMI, o crescimento tende a melhorar no médio prazo, mas o potencial depende da implementação de reformas estruturais urgentes. “Os riscos para as projeções são significativamente para baixo e incluem ramificações adversas da atual investigação de corrupção na Petrobras, a possibilidade de as metas fiscais não serem inteiramente atingidas e de racionamento de água e energia”, explica Fundo.

Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a afirmar que as políticas adotadas pela antiga equipe econômica se esgotaram e defendeu o ajuste baseado em “consolidação fiscal, realinhamento de preços e investimento privado em infraestrutura”.

O depoimento está em vídeo transmitido ontem, no XXVII Fórum Nacional, seminário de debates promovido pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, no Rio. Segundo Levy, a mudança é necessária também porque o Brasil não poderá contar mais com o superciclo das commodities.

Fonte: DCI
Seção: Economia
Publicação: 14/05/2015

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