Futuro incerto para Usiminas

15 de abril de 2015

Quem acompanha de perto a Usiminas entende que a disputa de poder entre os acionistas controladores da empresa, japoneses da Nippon Steel e ítalo-argentinos da Ternium, está longe de solução, devendo se arrastar na Justiça por longo tempo. Problemas que ficaram evidentes há cerca de um ano, quando os principais executivos da empresa, ligados à Ternium, foram afastados e se repetiram na semana passada, em assembleia para eleição do presidente do Conselho Administrativo, quando a disputa entre os controladores acabou abrindo espaço para a vitória de representante dos acionistas minoritários, gerando um novo embate. A Ternium contesta o resultado e já informou que vai “buscar medidas legais cabíveis voltadas às inúmeras ilegalidades praticadas na eleição do Conselho de Administração”.

Se é bastante difícil prever como e quando a contenda poderá ser dirimida ou apontar de que lado está a razão, mais fácil é avaliar suas consequências, no que toca à gestão da Usiminas. A situação em si fragiliza a empresa e é mais delicada numa conjuntura adversa, com a demanda e os preços de aços planos em queda e o mercado interno, que responde por 90% de suas receitas, em baixa. Decisões, nesse ambiente, têm que ser ágeis e bem fundamentadas, partindo de estratégias que implicam um consenso que simplesmente não existe, dificultando até mesmo a hipótese de um dos grupos sair da empresa.

Nada disso é bom para Minas Gerais, que tem na Usiminas o principal ícone do processo de expansão e modernização industrial que começou na segunda metade do século passado. O Estado vem perdendo espaços no setor siderúrgico nacional e sua liderança é ameaçada por investimentos que se deslocam para outras regiões, enquanto a própria Usiminas, principal produtor de aços planos da América Latina, posterga seus planos de crescimento diante de um futuro que parece bastante incerto. Já foi diferente, muito diferente.

A Usiminas, criada por um grupo de cinquenta empresários mineiros e viabilizada através da participação da Nippon Steel e do governo federal, alcançou padrões de excelência técnica e gerencial que lhe valeram reconhecimento mundial. Foi privatizada, equivocadamente como se pode perceber agora, exatamente porque era apontada como a “joia da caroa”, portanto o ativo mais atraente a ser ofertado. A cultura da empresa, que era tida como defeito, foi quebrada e aí sim problemas logo começaram a aparecer, esvaziando o trabalho realizado ao longo de mais de quarenta anos. E culminando com mudanças na composição acionária, com os desdobramentos que são agora conhecidos. Cabe lamentar, cabe torcer para que a Usiminas reencontre, nas suas melhores tradições, o caminho do sucesso.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia
Publicação: 15/04/2015

Compartilhe nas redes sociais