Gerdau negocia aquisição da Silat, laminadora de aço do grupo Añon

13 de junho de 2019

Após um longo período de desinvestimentos de ativos de baixa rentabilidade na Europa, EUA, América Latina e Índia, o grupo Gerdau está voltando às compras no Brasil. O Valor apurou que a companhia está negociando a aquisição da Siderúrgica Latino-Americana (Silat), localizada em Caucaia, no Ceará, que pertence ao grupo espanhol Hierros Añón.

A Silat, criada em 2011 e com início de operação em meados de 2014, é produtora de aços longos, produto usado na construção civil. A empresa tem capacidade instalada anual para fazer 600 mil toneladas de vergalhões e fio-máquina e 60 mil toneladas de malhas eletrosoldadas. O grupo investiu centenas de milhões de reais no projeto, recebeu incentivos governo cearense e uma participação acionária de 10% por meio da Adece (agência estadual).

A companhia disputa o mercado das regiões Nordeste e Norte e fica a cerca de 20 km da Gerdau Cearense, siderúrgica que o grupo gaúcho opera há várias décadas no Ceará e faz por ano 160 mil toneladas de produtos laminados.

O grupo Añón tinha um projeto mais ousado para o Brasil, desenhado em várias fases: além da fábrica atual, instalar uma aciaria de tarugos e até fazer aços planos laminados no Ceará, com investimentos superiores a R$ 1 bilhão. Porém, com a crise do país, investiu apenas na laminadora de vergalhões e fio-máquina, usando como matéria-prima tarugo importado. No início, trazia da China.

A operação da Silat, no entanto, não se mostrou competitiva nesse modelo e o grupo conduzido por Manuel Añón decidiu se desfazer do negócio e concentrar o foco na Espanha, principalmente na região da Galícia. Por isso, a empresa estaria produzindo em torno de um quinto da capacidade – cerca de 100 mil toneladas.

Para a Gerdau, o ativo é interessante, pois fortalece sua posição na região Norte-Nordeste. Poderia suprir a fábrica da Silat com tarugos produzidos em Ouro Branco (MG), na Gerdau Açominas.

Segundo fontes do setor, o valor do negócio com a Gerdau é da ordem de US$ 100 milhões. A venda da Silat teria atraído também o grupo mexicano Simec, que chegou a ter negociações avançadas com o Añón e fechar, verbalmente, os termos de uma proposta na faixa de US$ 80 milhões. Mas as conversas foram suspensas pelo vendedor ante uma oferta mais atrativa da Gerdau. A Simec levaria matéria-prima de sua fábrica de Cariacica (ES) e entraria no Nordeste.

Procurada, a Gerdau informou que “não comenta rumores de mercado”. Um representante de Manuel Añon na Silat disse que a empresa não comentaria o assunto. A Simec não se pronunciou a respeito. A Adece informou que não tinha conhecimento da venda do controle da Silat até agora.

Fonte: Portos e Navios 
Seção: Siderurgia 
Publicação: 13/06/2019

Compartilhe nas redes sociais