Indústria do aço espera queda de 2,1% no consumo para 2022 – 19/04/2022.

19 de abril de 2022

Em 2021, a produção de aço bruto aumentou 15,7% em relação ao ano anterior, atingindo um total de 64,8 Mt, enquanto a produção de laminados aumentou 19,5% (55,7 Mt). O ano terminou com um consumo regional total de 74,8 Mt, um aumento de 26,6% em relação ao ano anterior (59,1 Mt) e 15,4% em relação a 2019 (64,8 Mt). Exportações que atingiram 9,0 Mt, 19,9% a mais que em 2020 (7,5 Mt). As importações acumuladas já somaram 28,8 Mt, 46,7% acima do mesmo período de 2020 (19,6 Mt).

“Para 2022, espera-se uma leve queda de 2,1% no consumo aparente, principalmente devido a uma forte recomposição de estoque na cadeia. Mesmo assim, é um bom nível em relação aos anos pré-pandemia (2017-19 a média de 66,1 Mt/ano)”, avalia Alejandro Wagner, diretor-executivo da Associação Latinoamericana de Aço (Alacero).

No entanto, em fevereiro de 2022, a produção de aço bruto diminuiu 6,8% em relação ao mês anterior, atingindo 4,8 Mt. Com o acumulado entre ENE-FEB de 10,0 Mt, 2,2% inferior ao mesmo período de 2021. Enquanto a produção de laminados foi 3,3% menor em relação a janeiro, totalizando 4,2 Mt. A produção acumulada de laminados nos dois meses foi de 8,6 Mt, com 2,3% a mais que no ano anterior. Em janeiro de 2022, o consumo aparente foi de 5,6 Mt (-8,0% em relação a janeiro de 2021 e +4,6% em relação ao mês anterior).

O déficit comercial acumulado para 2021 ainda é crítico, 63,5% superior ao ano anterior, com -19,8 Mt.

Outro ponto importante para o setor siderúrgico em 2022 é o impacto do conflito entre Rússia e Ucrânia. A Ucrânia é o 14º maior produtor de aço bruto (21,4Mt em 2021) e o 8º maior exportador de aço do mundo (15Mt em 2021), segundo dados da OCDE. Outro estudo da mesma organização indica que a Rússia é o nono maior exportador de minério de ferro do mundo, com produção de 25,7Mt em 2020, e o terceiro maior exportador de carvão. Portanto, o conflito entre os países pode ter um impacto substancial nos preços das matérias-primas.

“O mercado internacional teve que buscar novas alternativas devido à indisponibilidade de aço e matérias-primas da Ucrânia ou da Rússia. Isso afeta principalmente os EUA e a Europa, embora os efeitos não sejam descartados em alguns países da América Latina. Devido à quebra de oferta devido à indisponibilidade de fornecimentos da Ucrânia ou da Rússia, a situação tem causado uma situação generalizada no mundo de aumentos de preços, quer porque estes novos fornecedores têm custos mais elevados, quer por simples excesso de procura de matéria-prima que alguns fornecedores têm”, diz Alejandro Wagner.

Ainda outro fator que prejudica os países latino-americanos com a compra de aço é a taxa de inflação. Os governos aumentaram as taxas de juros para contê-lo, mas com as eleições de 2022, mudanças nas linhas políticas podem impactar a implementação das reformas econômicas.

“O aço faz parte da solução para chegarmos a uma economia circular e alcançar a sustentabilidade. Uma vez que é necessário emitir menos carbono, o material é 100% reciclável e está mais presente no nosso dia a dia do que se imagina. Além disso, é ele que compõe as fontes renováveis de energia, por exemplo, é de aço que são feitas as estruturas de torres de energia eólica e os painéis solares”, comenta Alejandro Wagner.

Atualmente, 80% dos gases de efeito estufa provêm da emissão de dióxido de carbono na atmosfera e, desse total, entre 7% e 9% têm origem na indústria de aço global. Embora a América Latina não supere 2,8% das emissões do setor, a região será uma das mais afetadas pelas mudanças climáticas.

No Brasil, as exportações de sucata ferrosa, insumo usado na composição de aço pelas usinas siderúrgicas, voltaram a crescer em março deste ano, atingindo 50.217 toneladas, alta de 56% em relação a fevereiro (32.191 toneladas) e de 126% comparadas ao mesmo mês do ano passado.

No acumulado do primeiro trimestre, as exportações chegaram a 120.612 toneladas, ante 64.883 toneladas nos primeiros três meses de 2021, um aumento de 86%, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

Segundo o presidente do Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa), Clineu Alvarenga, o conflito na Ucrânia continua a afetar os preços da sucata metálica no mercado internacional.

“A alta também nos preços do insumo chegou ao Brasil em abril”, diz.

Ele acrescenta que os recicladores brasileiros só têm exportado o excedente não consumido no mercado interno.

Os preços do ferro gusa e do minério de ferro deram grande salto em função da guerra, com a paralisação de usinas, e o reflexo ocorreu também na sucata metálica.

Fonte: Monitor Mercantil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/04/2022

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