Inflação dilui ganhos da indústria com a alta do dólar

17 de março de 2015

A valorização do dólar, que chegou ao maior patamar dos últimos 12 anos na sexta-feira (R$ 3,25), era para ser comemorada por uma parte do setor industrial por alavancar a competitividade nas exportações. Entretanto, não será suficiente para melhorar os resultados das empresas. Por mais significativa que seja a apreciação da moeda norte-americana, o impacto não será capaz de compensar os efeitos da alta na inflação e do mau momento econômico vivido pelo país.

 Para o setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, o dólar rondando na casa de R$ 3,20 é um patamar considerado como ideal. Isso porque eleva o preço dos produtos fabricados no exterior que entram no país há anos com cotações menores do que a concorrência nacional. Portanto, agora seria a hora de os empresários do setor conquistarem mais espaço no mercado interno e avançarem nas exportações.
 
 Mas, segundo o diretor regional de Minas Gerais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Veneroso, o efeito inflacionário tem quase anulado o diferencial que a cotação da moeda poderia ter para gerar resultados favoráreis para as empresas do setor.
 
 A inflação oficial do país acumulada em 12 meses até fevereiro fechou a 7,70% e a expectativa é que se mantenha acima do teto da meta do governo de 6,5% até o fim do ano. “A alta do dólar é muito importante para o nosso setor. Mas da forma como está acontecendo só vai servir para agravar a inflação. Então se torna um movimento de perde e ganha”, afirma o diretor da Abimaq.
 
 A indústria de máquinas e equipamentos perde porque tem os custos elevados com a inflação em alta. E ganha porque consegue mais espaço no mercado internacional. Mas, diante do “empate teórico” entre um impacto positivo e outro negativo, o que faz a balança pender mais para o lado ruim é a conjuntura econômica brasileira. Ou seja, independentemente do grau de competitividade do segmento, não há demanda interna para máquinas e equipamentos.
 
 “Nós até podemos ter uma alta do dólar, mas internamente não temos investimentos que justifiquem compra de máquinas e equipamentos. Então a queda do faturamento no setor é real”, explica Veneroso. Na média nacional, as projeções são de um faturamento próximo ao registrado no ano passado. Mas, em Minas Gerais, a queda deverá ser na casa dos dois dígitos.
 
 Para os produtores de joias, a tão esperada alta do dólar também não parece ter vindo no melhor momento. A competitividade no mercado brasileiro poderia ser aumentada com o real desvalorizado, porém a demanda interna está em baixa. “Não vai fazer muita diferença porque a crise está aí. Ainda vamos precisar de muita criatividade para alavancar as vendas”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras Preciosas do Estado de Minas Gerais (Sindijoias-MG), Raymundo Viana.
 
 De acordo com Viana, para aproveitar o momento e elevar as exportações será necessário apostar na utilização de pedras mais baratas e apresentação de um trabalho mais artesanal. Isso porque o setor ainda busca espaço no exterior e, para concorrer com outros países, será necessário apresentar peças diferenciadas.
 
 
 Mineração – Outro segmento que poderia ter resultados bastante positivos com a depreciação do real é o da mineração. Por ser um setor exportador, com contratos fechados em dólar, as empresas terão um adicional em reais no caixa durante essa valorização da moeda norte-americana. Mas até mesmo esses ganhos precisam ser relativizados.
 
 O consultor e presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Mendo Mizael de Souza, explica que é preciso conhecer a realidade de cada uma das empresas para saber qual mineradora ganha e qual perde com a depreciação do real.
 
 Aquelas mineradoras que atuam mais intensamente no mercado interno não sentirão grandes diferenças relativas às mudanças cambiais. “As empresas que se dedicam ao mercado brasileiro não terão condições de renegociar preços levando em conta a crise atual da economia”, avalia. Já aquelas que exportam poderão ter ganhos caso não possuam dívidas altas, uma vez que também são cotadas em dólar.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Economia
Publicação: 16/03/2015

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