Infraestrutura precisa de 5% do PIB

30 de setembro de 2014

A modernização da infraestrutura do País passa por uma mudança de patamar dos investimentos, mas esse não é o único desafio do setor. Na avaliação do presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE), Mauro Ribeiro Viegas Filho, também é preciso melhorar o planejamento das obras, com estudos aprofundados e dentro de prazos adequados.

“Há uma dificuldade enorme no Brasil de planejar, estudar e projetar grandes empreendimentos, o que considero tão importante, ou até mais, do que a realização (da obra)”, afirmou. Ele disse que para modernizar o setor de infraestrutura são necessários investimentos equivalentes a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano. Em 2013, a cifra representou de 2,45%, o equivalente a R$ 120 bilhões.

Debate internacional

Representantes do setor e autoridades se reúnem nesta semana na Conferência Internacional de Infraestrutura, no Rio, para discutir gargalos e possíveis soluções. O evento é promovido anualmente pela Fidic (Federação Internacional de Engenheiros Consultivos, na sigla em francês) e ocorre pela primeira vez em um País sul americano. São esperados 800 congressistas, de acordo com o presidente da ABCE, que é filiada à federação internacional.

Para Viegas Filho, um dos principais problemas no Brasil é que os planejamentos que deveriam levar até 30 anos são do “tamanho dos mandatos dos governantes”. “No máximo, têm quatro anos, porque muitas vezes não começam no primeiro ano de governo. Deveria ser obrigatório ter planejamento de longo prazo”, diz.

“Os estádios da Copa do Mundo são um exemplo. Poderiam ter sido planejados e projetados com maior antecedência. Isso mostra que falta consciência de que esse tipo de investimento é de longo prazo”, diz.

Pressão aumenta custos

Sem o planejamento, os estudos são feitos sob pressão. “Não se faz estudos de viabilidade em dois meses. Tem que ter prazos adequados. Dependendo do porte da obra, tem que fazer avaliações mais profundas para evitar surpresas na hora da execução”, acrescenta. O resultado são maiores custos: “Muitas vezes acaba se gastando o dobro ou triplo no projeto por causa de estudos realizados às pressas”. Outro efeito é no tempo de execução. “Há casos que demoram três ou quatro vezes mais do que se tivessem sido feito os estudos adequados”, completa.

Segundo ele, em países desenvolvidos, muitas vezes o prazo de estudo do projeto é maior que o da obra. Entre as sugestões da ABCE está a de que nos editais de Parcerias Público-Privadas (PPPs) sejam contratadas empresas de engenharia consultiva, para desenvolver os projetos.

Fonte: Diário do Nordeste 
Seção: Infraestrutura & Energia 
Publicação: 30/09/2014

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