Mercado mostra pessimismo com retomada no aço

7 de maio de 2019

O mercado mantém-se mais pessimista quanto a retomada do setor siderúrgico brasileiro. A expectativa de aumento no consumo aparente neste ano é menor que a feita pelas companhias. Isso porque, com o atraso da aprovação da reforma da Previdência, setores que demandam muito aço, como a construção civil, ainda não reagiram. “O consumo aparente de aço deve crescer entre 3,5% a 4% este ano. Não há espaço para uma expansão maior justamente pelas incertezas da economia com a aprovação da reforma da Previdência”, disse Felipe Beraldi, economista da Tendências Consultoria.

A estimativa está abaixo da expectativa que a consultoria tinha no início do ano, que era de expansão de 4,5% no consumo aparente de aço. “Setores importantes como o de construção civil e infraestrutura ainda não retomaram a atividade, por isso, o cenário para o segmento de aços longos deve ser mais desafiador.”

O economista observou que o segmento de aços planos deve apresentar aumento de 3% no consumo, chegando a 12,9 milhões de toneladas e o de longos, alta de 6%, alcançando 7,9 milhões de toneladas. “Acreditamos que, com os projetos de infraestrutura saindo do papel, 2020 poderá ser um ano de recuperação para o segmento, com crescimento de 8% no consumo aparente de aços longos.”

As estimativas do Instituto Aço Brasil é de que o consumo aparente de aço no país este ano deve crescer 4,6% em relação a 2018, chegando a 22 milhões de toneladas. Essa previsão foi revisada para baixo há pouco dias, ante a do início do ano, quando a entidade e o setor previu 6,2%, chegando a 22,37 milhões de toneladas.

Para a analista da XP Investimentos, Betina Roxo, a demora na aprovação da reforma da Previdência é um fator que afeta negativamente o setor. “Não só pela incerteza que gera nos investidores como também pelo nível de confiança que tende a ter um ritmo mais fraco. Com isso, setores que são grandes compradores de aço, como o de infraestrutura e automotivo, sofrem com esse ambiente macroeconômico.”

Segundo ela, havia a expectativa de que a retomada da siderurgia este ano seria mais rápida do que em outros setores. Agora, a XP está ajustando para um crescimento mais gradual. “O primeiro semestre foi mais desafiador muito pela não aprovação da reforma. A retomada forte no setor deve acontecer em 2020, principalmente no segmento de aços longos”, afirmou a analista.

Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial Research, também acredita que a retomada do consumo aparente deve acontecer a partir do segundo semestre com a melhora dos indicadores econômicos. “2019 não vai ser um ano extraordinário mas não será frustrado. A retomada deve acontecer mesmo na segunda metade do ano.”

Fonte: Valor 
Seção: Siderurgia 
Publicação: 07/05/2019

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