Mineradora é rebaixada e corre o risco de falir

7 de dezembro de 2015

A agência de classificação de risco Fitch anunciou, neste sábado, o corte que classifica a empresa Samarco em quatro degraus abaixo e corre o risco de falir. A nota da mineradora passou para BB -. O fato ocorreu por causa do desastre em Mariana que causou a morte de moradores e um grande desequilíbrio ecológico na Região Sudeste do país.

A mineradora demonstrou falhas no monitoramento e segurança da barragem e colocou o meio ambiente e a população em risco. O acidente provocou a morte do Rio Doce que abastecia a região e a água se tornou imprópria para o consumo.

O lugarejo de Bento Rodrigues foi devastado pela lama e o número de mortos tende a aumentar, na medida que se buscam os desaparecidos, a água barrenta chegou ao mar do Espírito Santo e causou prejuízos irreparáveis ao meio ambiente.

Diante desses fatos a justiça acionou a mineradora a pagar indenizações para as vítimas do desastre. Eles terão que recuperar o Rio Doce, o meio ambiente e arcar com todos os prejuízos causados pelo rompimento da barragem.

São muitas as incertezas que giram em torno da Samarco, a Fitch informou que a mineradora parou com a fabricação das pelotas de ferro e seu crédito se comprometeu.

A Vale também sofreu penalidades foi colocada em grau de “observação negativa”, pois há a perspectiva de que tenha que ajudar a Samarco a pagar multas e sanções. O perfil da empresa ficará em verificação pelo prazo de 3 a 6 meses e esse parecer da agência coloca a mineradora em uma situação nada confortável.

Indenizações

Dentro do prazo estabelecido, as mineradoras Vale e BHP Billiton, sócias do empreendimento, precisam acatar as ordens do Ministério público e cumprir com as indenizações, pois o prejuízo é de ordem moral e ambiental. Outras barragens da Samarco correm risco de ceder e caso isso ocorra os problemas se ampliarão.
 Os pesquisadores não sabem afirmar o tempo que levará para o Rio Doce e meio-ambiente se recuperar.

Que as empresas possam cumprir com suas responsabilidades e solucionem os problemas causados pela lama tóxica, a ambição não pode levar ao degradamento da natureza e da vida. Há o risco da lama se espalhar através do mar para outros locais e caso isso ocorra poderá gerar mais mortes de peixes, problemas no turismo e na sobrevivência das pessoas.

Em reunião realizada, na véspera, no Ministério Público do Trabalho, em Belo Horizonte, a Samarco se comprometeu a manter seus funcionários e empregados terceirizados até o dia 1º de março de 2016. Também foi acordado o pagamento de um salário mínimo, mais 20% por dependente, e uma cesta básica para todos os que tiveram a renda comprometida pela tragédia, como pescadores e pequenos produtores rurais.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, 11 mil famílias deverão ser beneficiadas. O pagamento começará a ser feito no dia 11 de dezembro e será retroativo ao dia 5 de novembro, data do rompimento da barragem de Fundão.

A Samarco tem 1.586 empregados diretos em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, e 1.274 funcionários em Anchieta, no Espírito Santo, além de escritórios em Belo Horizonte e Vitória. Cerca de 2,4 mil terceirizados, de 50 empresas, trabalham na mineradora.

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, liberou mais de 30 milhões de m³ de rejeitos, destruindo o vilarejo de Bento Rodrigues e atingindo vários outros distritos da cidade. Cerca de 35 municípios mineiros foram afetados pelo “mar de lama”, segundo o governo estadual.

Fonte: Correio do Brasil
Seção: Mineração
Publicação: 07/12/2015

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