Mineradoras estão próximas do limite

7 de abril de 2015

Rafael Tomaz

A forte retração nos preços internacionais do minério de ferro está colocando em risco a lucratividade das mineradoras. Até mesmo as grandes companhias que mantêm custos operacionais mais competitivos em relação às empresas de menor porte estão chegando ao limite, de acordo com especialistas.

Em 2015, a cotação do minério de ferro está surpreendendo de forma negativa, ficando aquém do esperado. O preço no mercado spot (à vista) na China está em US$ 47 a tonelada. Este é um dos menores patamares registrados nos últimos dez anos.

Levando em conta as despesas com frete, o preço está bem próximo do custo de grandes mineradoras, como, por exemplo, a Vale S/A. No ano passado, a tonelada entregue na China custava em média US$ 46, conforme informações da companhia. Porém, desse total, US$ 23,5 eram referentes ao custo caixa colocado nos portos e US$ 22,6, à despesa do frete até o país asiático.

Com as margens em queda, as grandes mineradoras poderão mudar a estratégia de ampliar a oferta de minério de ferro no mercado transoceânico, na avaliação do analista da Tendências Consultoria, Felipe Beraldi. A ampliação da produção do insumo siderúrgico é um dos principais motivos para a retração na cotação verificada nos últimos meses.

Entre as medidas que na avaliação do especialista podem ser adotadas está a redução no ritmo do processo de comissionamento de grandes projetos em todo o mundo. Ou seja, as empresas tendem a levar um tempo maior do que o previsto para colocar suas novas operações em capacidade plena.

Sobreoferta – Isto se dá uma vez que, mesmo com a redução nos preços internacionais abaixo de US$ 100, algumas mineradoras chinesas, subsidiadas pelo governo, mantiveram suas operações, resultando em sobreoferta. Os estoques nos países asiáticos chegaram a atingir patamares históricos nos últimos meses.

Com este cenário, de acordo com Beraldi, os preços deverão continuar pressionados em 2015. As projeções da Tendências Consultoria são que a cotação sofra uma retração de 37,3% ao longo do ano. O valor médio deverá ficar em US$ 59 a tonelada.

O analista de investimentos Pedro Galdi concorda que os preços deverão continuar pressionados em 2015. Ele lembra que o cenário internacional é adverso, com a perda de ritmo da China, o que afeta diretamente os preços do insumo siderúrgico.

“Muitas mineradoras estão no seu limite, principalmente na China”, afirma. Na avaliação do especialista, o cenário deverá resultar em uma redução no ritmo da produção.

Paralisação – A queda nos preços já causou “vítimas” em Minas Gerais. Recentemente, a Ferrous Resources do Brasil paralisou parcialmente duas minas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e dispensou 179 trabalhadores.

Outra mineradora afetada pela queda nos preços foi a MMX Mineração e Metálicos. Desde o ano passado as operações no complexo Serra Azul, na RMBH, estão paralisadas. A subsidiária da companhia MMX Sudeste Mineração está em recuperação judicial.

O minério é o principal item da pauta de exportações de Minas Gerais. Em janeiro e fevereiro os embarques movimentaram US$ 1,695 bilhão, ante US$ 3,442 bilhões no mesmo intervalo do ano passado. Isto representa queda de 50,7%, de acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Mineração
Publicação: 07/04/2015

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