Minério de ferro cairá para menos de US$ 50 por tonelada, diz Citigroup

25 de março de 2015

O preço do minério de ferro cairá para menos de US$ 50 por tonelada porque a demanda de aço na China, a maior produtora mundial da liga, se mantém fundamentalmente fraca e os custos das companhias mineradoras continuam caindo, segundo o Citigroup Inc.

A demanda chinesa por aço diminuiu em janeiro e fevereiro em relação a um ano atrás, disse o banco em um relatório enviado por e-mail nesta segunda-feira, no qual reiterou sua previsão de um recuo para menos de US$ 50, frente a US$ 54,66 na sexta. Moedas desvalorizadas, preços de energia mais baixos e taxas de frete reduzidas diminuirão ainda mais os custos das companhias mineradoras, disse o Citigroup.

O minério de ferro está prestes a registrar uma perda trimestral recorde porque a desaceleração da demanda na China e a crescente oferta da Rio Tinto Group, da BHP Billiton Ltd. e da Vale SA estão agravando uma superabundância mundial. O Citigroup foi um dos prognosticadores mais baixistas da commodity utilizada na fabricação de aço, tendo previsto corretamente em novembro que seu preço cairia para menos de US$ 60 por tonelada em 2015. Regulamentações ambientais mais estritas na China também estão prejudicando a perspectiva para a produção de aço, disse o Citigroup no relatório.

“Continuamos baixistas em relação ao minério de ferro e reiteramos a nossa expectativa de que os preços cairão para menos de US$ 50”, escreveram analistas, entre eles Ivan Szpakowski, no relatório de nove páginas. “A demanda real por aço – com base na produção, nas exportações líquidas e nas mudanças nos estoques de usinas e negociantes – sugere um crescimento marcadamente negativo em relação ao ano anterior para o bimestre janeiro-fevereiro”.

No dia 20 de março, o minério com 62 por cento do conteúdo em Qingdao afundou para seu menor valor desde pelo menos maio de 2008, segundo dados diários e semanais da Metal Bulletin Ltd. Os preços caíram 23 por cento neste ano e se encaminham para seu quinto recuo trimestral. A previsão do Citigroup para o ano completo se mantém em US$ 58 por tonelada, disse Szpakowski.

Meta de crescimento

A China estabeleceu uma meta de crescimento econômico de 7 por cento para este ano, a menor em mais de quinze anos, e identificou cada vez mais ventos contrários, entre eles uma depressão no mercado de propriedades. Neste mês, o primeiro-ministro Li Keqiang prometeu medidas mais duras para combater a poluição, dizendo que os controles implementados até agora ficaram aquém das expectativas da população.

“O assunto mais popular no mercado chinês talvez seja a crescente pressão ambiental”, escreveu Szpakowski. “A lei ambiental revisada, que entrou em vigor no começo de 2015, fortaleceu muito os mecanismos de aplicação, com um grande aumento das multas máximas”.

A desvalorização das moedas e o afundamento dos preços da energia ajudaram os produtores a reduzir seus custos, reforçando as margens de lucros apesar do desmoronamento do minério de ferro. A Fortescue Metals Group Ltd., a quarta maior exportadora do mundo, está planejando diminuir ainda mais seus custos, disse o CEO Nev Power em Hong Kong nesta segunda-feira.

“Continuaremos reduzindo os nossos custos e posicionando-nos na curva de custos com muita força”, disse Power em uma entrevista com a Bloomberg Television. “é só uma questão de quanto tempo passará até a demanda ultrapassar e absorver a oferta, e então veremos uma recuperação do preço”. (Bloomberg)

Fonte: Infomoney
Seção: Mineração
Publicação: 25/03/2015

Compartilhe nas redes sociais