Novos estímulos ao crédito serão insuficientes em 2014

8 de setembro de 2014

Representantes da indústria automobilística estão apostando no que chamam de “choque de liquidez” para alavancar as vendas no segundo semestre. As recentes medidas envolvendo redução de taxa de juros pelos bancos públicos e privados para a compra de automóveis têm sido encaradas como a salvação para o setor não amargar uma queda ainda maior do que a projetada. Porém, os números no acumulado do ano são cruéis e a meta para 2014 – que até o momento é de declínio de 5,4% – pode ser mais acentuada. 

“A intenção de consumo das famílias está muito retraída não só por causa do baixo crescimento da renda e do aumento do risco de desemprego, mas devido à falta de confiança e incertezas sobre o ano que vem. Isso sim é um limitante muito mais forte do que crédito”, afirma o analista do setor automotivo da Tendências Consultoria, Rodrigo Baggi. 

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou, ontem (04), uma ligeira recuperação da produção na passagem de julho para agosto, porém, no acumulado do ano, houve declínio de 18% em relação ao mesmo período de 2013. As vendas, na mesma base de comparação, também tiveram recuo de 9,7%. 

No entanto, de acordo com o analista da Tendências, para atingir a meta em 2014, o setor teria que vender uma média de 330 mil leves e pesados por mês, entre setembro e dezembro. Até agosto, porém, a média foi de 278 mil. 

“De fato, as condições para a demanda por crédito melhoraram, em termos de prazos e juros. Mas para este ano só devem atenuar uma queda forte já prevista”, reforça. Segundo Baggi, a previsão da Tendências, até o momento, é de queda das vendas de 6% para 2014, com viés de baixa. 

Contudo, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, procura se manter otimista. O executivo tem convicção de que o segundo semestre será melhor do que o primeiro, principalmente devido às medidas de destravamento do crédito e ao Salão do Automóvel, que traz boa parte dos lançamentos das marcas no médio prazo e costuma render um aumento considerável das vendas no ano. 

“Alguns bancos já estão concedendo taxas de juros muito atrativas e prazos de pagamento de até 60 meses. O pior já passou, o fundo do poço para nós foi o mês de julho”, destacou Moan. 

O executivo evitou, porém, falar de revisões para o ano. “Não vamos ficar alterando projeções mês a mês. Iremos esperar até outubro para contabilizar os impactos das novas medidas de crédito sobre o setor”, ressaltou o presidente da Anfavea. Em agosto, os estoques subiram para 42 dias, considerado bem acima do desejado. “Levando em conta férias coletivas e lay-offs [suspensão temporária do contrato de trabalho] nas últimas semanas, a produção está dentro das expectativas”, justificou Moan. 

Carrocerias 

Ainda nesta quinta-feira, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) comunicou que a indústria de reboques e semirreboques continua patinando. No acumulado do ano, houve queda de 10,68% das vendas em relação ao mesmo período de 2013, para 116,35 mil unidades. 

“A indústria sente diretamente os reflexos da queda da atividade econômica no primeiro semestre e da recessão técnica”, disse, em nota, o presidente da Anfir, Alcides Braga. O setor de implementos rodoviários está intimamente ligado aos emplacamentos de caminhões. 

 

Fonte: DCI 
Seção: Economia 
Publicação: 08/09/2014

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