País perde espaço no comércio com a China

14 de janeiro de 2015

Com a queda do preço do minério de ferro, o Brasil perdeu espaço no ano passado com o seu principal parceiro comercial, a China.

Segundo dados divulgados nesta terça (13) pelo governo chinês, o Brasil respondeu por 2,01% da soma de exportações e importações do país asiático em 2014. Um ano antes, o Brasil era responsável por 2,17% desse total. Com isso, o país foi ultrapassado pela Rússia entre os principais parceiros comerciais da segunda maior economia global –a única mudança que ocorreu entre os dez maiores– e ficou na décima posição em 2014. O principal “vilão” da queda brasileira foi a desvalorização do minério de ferro, segundo produto que o país mais vende para a China, superado apenas pela soja. Apesar de o Brasil ter vendido um volume de minério de ferro para a China 5% maior em 2014 do quem 2013, o recuo no preço global do produto anulou esse ganho. Em média, a tonelada do minério de ferro brasileiro foi negociada com a China a US$ 67 no ano passado, valor 27% inferior ao de 2013. Ironicamente, o principal motivo para a queda da commodity foi a própria China –ou, especificamente, sua desaceleração econômica. A expectativa é que a alta do PIB de 2014, a ser anunciada na semana que vem, seja a mais fraca em uma década. Esse ritmo menor limita o avanço da construção civil no país, que por sua vez afeta o consumo de aço e o de minério de ferro. Como a China é a principal consumidora global do minério de ferro –responde por cerca de dois terços das compras mundiais–, os rumos de sua economia têm efeito direto no preço da commodity. Outro ponto que pesou para o declínio da cotação foi o excesso de produção por parte de mineradoras como a brasileira Vale e as angloaustralianas Rio Tinto e BHP Billiton. O aumento na oferta é provocado por grandes empreendimentos do setor anunciados há anos e que agora saem do papel. Cenário O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse no ano passado que o “cenário internacional é muito preocupante” com a freada do crescimento chinês, a estagnação na Europa e a recessão no Japão. Nesse ambiente de demanda fraca e com o excesso de produção de minério de ferro no mundo, a Vale não vislumbra melhora substancial dos preços do produto. Ferreira disse ainda que 2015 e 2016 serão anos “desafiadores” para a companhia, pois não se espera que os preços voltem a subir significativamente e a empresa estará em fase de pesados investimentos para pôr em operação sua nova mina de Carajás.

Fonte: Folha de São Paulo                Seção: Mineração                Publicação: 14/01/2015

Compartilhe nas redes sociais