Preço do aço não vai ceder com fim da pandemia, diz empresário do setor de máquinas – 16/06/2021

16 de junho de 2021

Faz quase um ano que o preço do aço virou uma dor de cabeça na economia, porque afeta desde a construção civil e as montadoras até os fabricantes de máquinas e de eletrodomésticos.

O que começou como preocupação setorial virou preocupação da sociedade, a ponto de o debate ter chegado à Assembleia Legislativa, que faz nesta quarta-feira uma audiência pública para debater o problema.

Um dos participantes, Hernane Cauduro, presidente regional da  Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no Estado, disse à coluna que o aço vendido diretamente pelas siderúrgicas a grandes consumidores ficou 83,6% mais caro nos 12 meses encerrados em maio, e o negociado pelas revendas a empresas menores chega a estar com preços 90% maiores, considerado o mesmo período.

Até agora, havia um consenso de que a pressão de custos era provocada pelo desarranjo na cadeia produtiva provocado pela pandemia. Como siderúrgicas chegaram a desativar altos fornos em todo o mundo durante a fase de restrições, era esperada a normalização do mercado com a retomada das atividades. No entanto, a estabilização que era esperada para o primeiro trimestre não veio, e mesmo com toda a capacidade operando de forma regular no Brasil, os preços não cederam.

— A China está mudando sua estratégia. Não quer mais vender aço, quer  exportar produtos acabados, com mais valor agregado. E tem tamanho para desequilibrar esse mercado. O Brasil tem capacidade de 34 milhões de toneladas ao ano, a China tem 1 bilhão de t/ano. Só a capacidade ociosa deles é de 300 milhões, quase 10 vezes a nossa — diz Cauduro para sustentar a tese de que os preços vão ceder com o fim da pandemia.

Embora admita que a Assembleia Legislativa não tem instrumentos para ajudar na solução do problema, Cauduro pondera que ajuda a dar visibilidade ao problema. Uma das medidas que os setores que mais consomem aço propõem é a redução da alíquota de importação do material, de 12% para 1%, como fez a Câmara da Indústria da Construção Civil. O presidente da entidade, José Carlos Martins, já disse que os aumentos de custos no segmento estavam “desesperadores”.

— O Brasil, infelizmente, não tem política de desenvolvimento. Aço é um insumo estratégico para o país. É necessário repensar, porque está ocorrendo uma mudança estrutural na cadeia do aço. Quando um país não tem estratégia, acaba sendo estratégia de outro — diz Cauduro.

A audiência pública da Assembleia, organizada pela Frente Parlamentar para a Retomada da Economia no RS, presidida pelo deputado Clair Kuhn (MDB), ocorre na quarta-feira (16), às 10h, com participação de representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), da Associação do Aço do RS (AARS), do Instituto Aço Brasil, do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon),  além de deputados estaduais e integrantes da bancada gaúcha no Congresso.

Fonte: GaúchaZH
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 16/06/2021

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