Preço do aço plano deverá subir em 1º de setembro

29 de agosto de 2012

O reajuste nos preços dos aços planos por parte das siderúrgicas deverá ser finalmente sentido pelos clientes da rede de distribuição a partir da próxima semana, na opinião de especialistas. Apesar de as principais usinas brasileiras terem aplicado o aumento no início do segundo semestre, a manutenção da tabela pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) estava impedindo o repasse, situação que deverá mudar em 1º de setembro.

A CSN já informou aos distribuidores que o aumento ficará entre 4% e 7%, dependendo do produto, conforme publicado pela imprensa. No caso das bobinas a frio zincadas o repasse será de 4% e a bobina fina a frio será reajustada em 4,5%, enquanto a bobina fina a quente terá aumento de 7%, de acordo com as últimas notícias.

A falta de um reajuste por parte da CSN impediu os distribuidores de repassarem para os clientes o aumento dos preços dos aços planos anunciado em julho pela Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas) e pela ArcelorMittal. Em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, no mês passado, o presidente do Instituto Nacional da Distribuição de Aço (Inda), Carlos Loureiro, afirmou que o repasse foi entre 4% e 8%. Em função da concorrência, uma vez que a siderúrgica de Vota Redonda (RJ) estava com preços menores, a rede foi obrigada a absorver o aumento das usinas.

Com o aço reajustado em todas as principais siderúrgicas de planos, os clientes, basicamente o setor industrial, deverão começar a sentir o aumento de preços, de acordo com o analista do Banco Geração Futuro, Rafael Weber. Porém, segundo o especialista, o repasse não deverá ser integral.

Weber ressalta que é preciso também confirmar o reajuste da CSN. Conforme ele, a revisão das tabelas já era esperada para o final do mês passado, mas acabou sendo postergada pela companhia fluminense.

O analista da Tendências Consultoria, Bruno Rezende, concorda com a expectativa de aumento na rede de distribuição. Ele lembra que a cadeia siderúrgica enfrenta um período em que os preços internos estão baixos, afetando os resultados do setor.

A alta do dólar frente ao real nos últimos meses é apontada como o principal fator que permitiu o aumento. A variação cambial compensou a queda na cotação do aço no mercado internacional. O prêmio, que é a diferença de preços entre os mercados interno e externo, está praticamente zerado, reduzindo o risco de um aumento das importações.

Apesar disso, o momento adverso no mercado internacional pode colocar em risco a estratégia das siderúrgicas. De acordo com o especialista, é verificada queda significativa nos preços internacionais. ‘Se continuar neste ritmo, as usinas poderão ter que rever os preços novamente no próximo ano’, diz.

Conforme já informado, há dois anos as siderúrgicas brasileiras passaram a trabalhar com descontos para evitar o avanço das importações de aço. Estima-se que a queda nos valores tenha alcançado 10%, o que não foi recuperado até o momento.

Este cenário foi provocado pela queda sucessiva dos preços externos, devido a sobreoferta de 500 milhões de toneladas de aço no mundo. Em meio à redução do consumo em mercados importantes, como Estados Unidos e Europa, parte do excedente foi direcionado aos países emergentes, que mantiveram o crescimento de suas economias, como, por exemplo, o Brasil e a China.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia
Publicação: 29/08/2012

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