Prejuízo da Usiminas aumenta 60% no último trimestre de 2015

22 de fevereiro de 2016

Manuel Alves Fernandes

A Usiminas apresentou prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre do ano passado, contra R$ 1 bilhão no trimestre anterior, aponta balanço apresentado nesta quinta-feira (18) pela siderúrgica. E representa perdas nove vezes superiores às registradas no último trimestre de 2014.

A siderúrgica suspendeu as atividades primárias de produção de aço na usina de Cubatão em janeiro – quando se registraram problemas no Alto-Forno 2 – e começou a demitir. Deverá dispensar 1.800 trabalhadores que atuavam nessas unidades, como altos-fornos, coqueria e aciarias.

Até terça-feira desta (16) semana haviam sido demitidos 1.642 trabalhadores, segundo o presidente do Sindicato dos Metalurgicos, Florêncio Resende de Sá (Sassá). Trezentos empregados foram redirecionados para as áreas que permanecem em operação, em atividades antes terceirizadas.

Além das dificuldades de mercado para a colocação de seus produtos, a empresa (que tem unidades em Ipatinga, Minas Gerais, e Cubatão) avalia que o prejuízo reflete, principalmente, “efeitos extraordinários relacionados a baixas contábeis técnicamente chamados de impairment, sem efeito caixa, que foram realizadas nas unidades de mineração e siderurgia, a fim de adequar o valor dos ativos à realidade do mercado”. 

Outros efeitos extraordinários que também influenciaram contabilmente o número no último trimestre do ano, com perdas de 31,8% sobre o resultado negativo do terceiro trimestre de 2015, foram as provisões de despesas para os desligamentos trabalhistas na Usina de Cubatão.

Se não promovesse o impairment dos seus ativos, a Usiminas teria apresentado lucro de R$ 217,3 milhões no último trimestre de 2015. No acumulado desse ano, a Usiminas apurou prejuízo líquido de R$ 3,24 bilhões, contra lucro de R$ 129,6 milhões em 2014.

Ao longo de 2015, a receita líquida foi de R$ 10,19 bilhões. Entre outubro e dezembro do ano passado, a receita líquida da siderúrgica mineira ficou em R$ 2,4 bilhões, registrando queda de 7% frente aos mesmos meses de 2014.

Demissões

Conforme a siderúrgica, o ajuste previsto no efetivo está praticamente concluído. “O quadro está estável”, informou a Usiminas, em nota para A Tribuna. Mas acrescentou que “não é possível realizar previsões em relação ao quadro nesse momento, pois o efetivo de uma siderúrgica é condicionado às condições de mercado”.

O volume de fechamento de postos de trabalho foi apontado pela Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon).

A indústria paulista começou este ano com 14.500 empregos a menos na passagem de dezembro de 2015 para janeiro deste ano. Cerca de mil demissões só em janeiro foram concentradas no setor de Metalurgia em Cubatão, levando o Município a apresentar variação negativa de 8,85% no nível de emprego.

Preço do aço e das vendas baixam

Na avaliação do balanço de despesas, a Usiminas aponta também as relacionadas à renegociação do contrato take or pay de transporte de minério, celebrada entre a Mineração Usiminas e a MRS.

O EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do quarto trimestre de 2015 (4T15) foi negativo em R$ 249,9 milhões, contra R$ 65,3 milhões negativo no anterior, principalmente devido à queda de preço de aço e queda de volume de vendas de minério de ferro.

Mesmo sendo o último trimestre do ano um período sazonalmente mais fraco, as vendas totais de aço no 4T15 totalizaram 1,2 milhão de toneladas, um aumento de 2,2% na comparação com as do 3T15. As vendas para o mercado interno foram de 882,1 mil toneladas, com alta de 17,4% na comparação com as do 3T15, sobretudo devido ao aumento das vendas para os setores de distribuição e construção civil.

Ainda comparando os dois trimestres, o volume de exportação caiu 24,4%; a produção de aço bruto nas usinas de Ipatinga e de Cubatão foi de 1,2 milhão de toneladas, 6,6% maior; o volume de produção caiu de 738 mil para 660 mil toneladas; e as vendas caíram 13,5%, para 670 mil toneladas.

Reestruturação

A Usiminas está analisando como elevar os recursos em caixa e melhorar o perfil de seu endividamento, para fortalecer sua estrutura de capital, informou em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A dívida líquida da Usiminas terminou dezembro em R$ 5,86 bilhões. Há R$ 7,89 bilhões em endividamento bruto e R$ 2,02 bilhões em caixa e aplicações resgatáveis.

Segundo a Agência Estado, os principais acionistas da Usiminas, a japonesa Nippon Steel e a ítalo-argentina Ternium, definiram novas reuniões em busca de solução para a empresa. Eles romperam relações em setembro de 2014, mas debaterão juntos um plano de reestruturação para que a siderúrgica não peça recuperação judicial.

Fonte: A Tribuna
Seção: Siderurgia
Publicação: 22/02/2016

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