Restrição à produção de aço na China pesa no minério

27 de junho de 2019

O preço do minério de ferro ampliou as perdas no mercado transoceânico ontem, ainda refletindo as restrições à produção de aço na cidade chinesa de Tangshan com a adoção de novas medidas, anunciadas pelo governo local, para controlar os níveis de poluição. De acordo com a publicação especializada “Fastmarkets MB”, a tonelada do minério com pureza média de 62% entregue no porto de Qingdao caiu 2%, ou US$ 2,31, para US$ 114,46 por tonelada.

Apesar do desempenho negativo, em maio, a commodity exibe valorização de 12,7% no mercado à vista. Em 2019, o ganho acumulado chega a 57%.

Os cortes na produção de aço na China levaram os contratos a subir no mercado futuro, embora não haja expectativa de falta de produto siderúrgico por causa das restrições ambientais. Já o contrato mais líquido de minério com entrega em setembro encerrou o dia na Bolsa de Commodity de Dalian com baixa de 15 yuans, para 798,50 yuans.

Em nota a clientes, o chefe de pesquisa do banco suíço Julius Baer, Carsten Menke, destacou que a recente desvalorização reflete as notícias de cortes contínuos de capacidade no principal polo produtor de aço da China, reduzindo a demanda das usinas por minério de ferro. Além disso, para o especialista, o cenário de restrição de oferta de minério de minério desenhado após o desastre da Vale em Brumadinho (MG) já está refletido nos preços da commodity.

“Embora o mercado de minério de ferro permaneça apertado e as incertezas relacionadas ao ambiente jurídico brasileiro [e eventuais novas medidas contra a Vale sejam elevadas, acreditamos que isso já está refletido nos preços”, diz o analista.

Ele acrescenta que o movimento que levou os preços do minério de volta aos US$ 110 por tonelada mostram que o mercado se apegou mais à revisão para baixo de produção da Rio Tinto do que na previsão da Vale de retomada de 100% das operações em Brucutu (MG), ambas anunciadas na semana passada.

O Julius Baer reiterou a recomendação neutra para o minério de ferro, mas elevou para US$ 95 por tonelada o preço-alvo em três meses, de US$ 85 por tonelada anteriormente. Para 12 meses, o preço-alvo foi mantido em US$ 75 por tonelada, refletindo a expectativa de recuperação da produção no Brasil e de arrefecimento da demanda na China.
 

Fonte: Valor 
Seção: Mineração 
Publicação: 27/06/2019

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