Setor de aço vive novo momento

21 de setembro de 2012

A crise internacional e uma redução do consumo interno de aço estão contribuindo para “o engavetamento de projetos” que previam a implantação de novas siderúrgicas, gerando um investimento de US$ 16 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões), segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes. “O setor tem uma sobra de capacidade instalada de 69% em relação a tudo que é demandado atualmente”, comentou.

Segundo ele, os processos de melhorias e relaminação vão continuar em andamento. “Mas não há movimento para implantar empreendimentos de capacidade nova”, comentou, sem citar nomes dos empreendimentos que estão engavetados. A diminuição do mercado do aço ocorre devido à concorrência com os importados, inclusive os chineses. Durante as décadas de 80, 90 e até antes da crise de 2008, as vendas para a China trouxeram grandes ganhos para as produtoras de aço brasileiro.

A falta de mercado interno e externo para o produto vai no sentido contrário de um projeto previsto para se implantar no Estado. É a Companhia Siderúrgica Suape (CSS). “A nossa expectativa é de entrar em operação em 2014”, disse o diretor de operações da CSS, Alberto Cunha. A empresa assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado prevendo a sua instalação em 2010. A expectativa inicial era que as obras de terraplenagem começassem no ano passado.

Sem admitir atraso, Cunha argumentou que a implantação de um projeto de grande porte tem que seguir um trâmite, que inclui as licenças ambientais, os incentivos fiscais e outros fatores que precisam de um tempo para se concretizarem.

O empreendimento prevê um investimento de US$ 835 milhões na implantação de uma laminadora que vai produzir as bobinas de aço a quente e a frio. A primeira pode ser usada em chapas na construção civil e a segunda ser transformada em tubos, chapas etc.

“Existe ociosidade no Sudeste, mas o Nordeste está importando aço e é este mercado que desejamos suprir”, revelou Alberto, argumentando também que o aço produzido no Sudeste fica com o preço mais caro quando trazido para a região porque o frete tem o custo alto e o produto nacional fica mais caro do que o aço estrangeiro.

A CSS é uma laminadora, faz apenas parte das etapas de uma siderúrgica, que é a laminação a quente e a frio. Uma siderúrgica mistura o minério de ferro com o carvão vegetal ou mineral para fazer o aço. No Brasil, existem 29 usinas, administradas por 11 grupos e com a capacidade instalada para produzir 47,8 milhões de toneladas de aço bruto por ano. No País, a produção de aço bruto é de 35,2 milhões de toneladas, o que corresponde a 2,3% do total desse metal fabricado em todo o planeta.

Fonte: Jornal do Commercio
Seção: Siderurgia
Publicação: 21/09/2012

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