Siderúrgica da Vale pode levar US$ 1 bi do BNDES

10 de março de 2015

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está analisando um empréstimo de pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 3 bilhões) à Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, apurou o ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’. Sociedade entre a Vale (50%) e as sul-coreanas Dongkuk (30%) e Posco (20%), a usina tem o início da produção previsto para 2016.

No momento em que o mundo convive com um excedente de capacidade de 600 milhões de toneladas de aço, a CSP é um dos raros projetos do setor que caminham para sair do papel. O investimento total está estimado em US$ 4,86 bilhões.

As negociações do empréstimo de longo prazo estão avançadas e a expectativa é que a operação seja finalizada ainda no primeiro semestre. Além do BNDES, bancos comerciais e agências de crédito coreanas como a Korea Trade Insurance Corporation (Ksure) e o Korea EximBank devem complementar o financiamento, dizem fontes próximas às negociações.

O valor total a ser aprovado ainda está em análise, porque pode incluir o pagamento de empréstimos-ponte anteriores. Se aprovado, este pode ser um dos últimos financiamentos de grande porte do BNDES para a indústria em 2015, já que a ordem no governo é fechar as torneiras do banco de fomento. Procurado, o BNDES não quis comentar a operação. O presidente da CSP, Sergio Leite, disse que não poderia detalhar as tratativas em curso.

Em janeiro, o banco francês BNP Paribas aprovou um empréstimo-ponte de US$ 240 milhões por seis meses para a construção da usina, o segundo do projeto. O primeiro, no valor de US$ 900 milhões, foi contratado pela CSP com um pool de bancos formado por Santander, HSBC e as instituições financeiras coreanas Korea Finance Corporation (KoFC) e Nonghyup Bank.

Além de US$ 1,2 bilhão injetado via financiamentos de curto prazo, cerca de US$ 2 bilhões em capital próprio já foram aportados pelos acionistas na CSP. Desse montante, a Vale investiu US$ 1 bilhão desde 2011. Em 2015, a mineradora planeja destinar US$ 185 milhões ao projeto, uma pequena parte de seu orçamento anual de US$ 10 bilhões.

Em um cenário de derrocada dos preços do minério de ferro, que beiram a mínima histórica, a Vale tem frisado o foco no aumento da produção e da qualidade da commodity, seu carro-chefe, concentrando esforços na conclusão dos projetos S11D, em Carajás, e Itabiritos, nos Sistemas Sul e Sudeste.

Os recursos concedidos à CSP estão sendo investidos na construção da unidade, localizada na cidade de São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Segundo a empresa, 60% das obras, tocadas pela Posco E&C, já foram concluídas. Além disso, 94% dos equipamentos estão comprados, inclusive o alto-forno importado da Coreia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: DCI                Seção: Siderurgia                Publicação: 09/03/2015

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