Sindicato fecha entradas da UPV para pressionar CSN

7 de julho de 2016

Uma semana! Esse foi o prazo que a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense deu para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se manifestar e chamá-la para nova rodada de negociação. A “intimação” foi dada, ontem, logo depois que a entidade sindical fechou todas as entradas da Usina Presidente Vargas (UPV) por três horas, das 5h às 8h. Cerca de 14 mil funcionários participaram do ato e atrasaram as suas atividades.

Segundo declarou o presidente do sindicato, Silvio Campos, o protesto foi contra o descaso da empresa, que só realizou até o momento uma reunião para discutir o Acordo Coletivo dos trabalhadores. Durante o ato, ninguém saiu e ninguém entrou na Usina. Ainda de acordo com o sindicalista, até hoje só foi realizada uma reunião quando a empresa só se mostrou querer tirar direitos dos empregados acima da lei, como 100% das horas extras, turno de oito horas, 70% das férias, todos os ganhos conquistados durantes 75 anos de luta do Sindicato.

Campos disse, ainda, que nessa mesma reunião a empresa, alegando a crise econômica, ofereceu aumento zero para os empregados, sendo que a pauta de reivindicação apresentada está enxuta. “Apresentamos uma pauta enxuta justamente por causa da crise. Mesmo assim, a empresa alega que não tem como oferecer aumento. Sabemos que a crise envolve a política e empresários, mas os trabalhadores não podem pagar por isso. Os funcionários não querem muito, apenas 9.82% (INPC)”, declarou Silvio Campos, lembrando que o vencimento da data-base dos metalúrgicos é dia 1º de maio. “A primeira reunião só foi para a entrega da pauta, em abril, e a outra no dia 20 de maio. Nessa, a empresa apresentou uma contraproposta com 12 itens de retiradas de direitos trabalhistas, foi quando nos retiramos da mesa de negociação e recusamos a assinar a ata da reunião”, completou Silvio.

Lembrou que o ato de ontem foi o primeiro de muitos outros que irão acontecer na preparação de uma greve, que será votada pelos metalúrgicos ao final das mobilizações. “Assim como esta, que ocorreu de forma surpresa, caso a empresa não apresente uma proposta de reajuste para o Acordo Coletivo de Trabalho, vamos parar a CSN por tempo indeterminado. O sindicato já vinha alertando à empresa sobre o limite da paciência que os trabalhadores confiam à entidade para negociar pacificamente o Acordo Coletivo”, destacou Silvio Campos.

O presidente lembrou que, recentemente, a Companhia foi premiada como a melhor empresa do setor de siderurgia, no Especial Maiores e Melhores, da Revista Exame. Segundo informação, o prêmio foi atribuído à empresa pela forma como vem enfrentando o cenário adverso no mercado brasileiro, aumentando sua rentabilidade em 20%. Só no quarto trimestre do ano passado, a sua produção foi de 7,2 milhões de toneladas de aço. “Só que, infelizmente, o que ela parece esquecer é de valorizar aqueles que realmente são responsáveis por todo este sucesso, os trabalhadores. Apesar de anunciar que o seu lucro saltou 30 vezes no quarto trimestre de 2015 para R$ 2 bilhões, pagou somente 0,87% do salário de PLR aos seus funcionários. E só este ano a empresa já aumentou 30% o preço do aço. E o que o metalúrgico reivindica é somente 9,82% (INPC) de reajuste. Isso é o mínimo”, concluiu.

Fonte: A Voz da Cidade
Seção: Economia
Publicação: 07/07/2016

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