Usiminas apresenta proposta final em reunião no MP

15 de janeiro de 2016

Rafael Motta

As tentativas de entendimento entre representantes da Usiminas e de sindicatos de trabalhadores em torno das demissões que a empresa deverá fazer ainda neste mês estão encerradas. 

A siderúrgica apresentou sua “proposta final de medidas, nesta quinta-feira (14), em reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT), em Santos. A lista foi considerada insuficiente pelos sindicatos dos Metalúrgicos e dos Engenheiros diante do risco de pelo menos 2 mil dispensas.

As propostas da Usiminas são:

. Manutenção dos planos de saúde e odontológico por três a seis meses
. Opção por auxílio alimentação por até quatro meses ou por recebimento do benefício de retorno de férias
. Contribuição previdenciária durante três meses para empregados com possibilidade de aposentadoria
. Prioridade na recontratação quando ocorrer a reativação dos equipamentos
. Remanejamento interno de alguns profissionais para áreas na usina que permanecerão operando
. Workshops de recolocação profissional

Houve nove encontros entre as partes. Enquanto a Usiminas afirma ter feito propostas “além das exigências legais” para “minimizar o impacto” dos cortes, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Florêncio Resende de Sá, o Sassá, afirma “não ter como continuar” com o diálogo com a empresa, que “não abre qualquer possibilidade de negociar alternativas”.

Na reunião, a Usiminas manteve propostas já apresentadas e acrescentou duas: pagamento de contribuição previdenciária por três meses aos empregados que têm condições de se aposentar e elaboração de cartas de recomendação aos dispensados.

“Este conjunto de medidas supera o que é determinado pela lei e representa as possibilidades financeiras da Usiminas diante do cenário de profundos desafios vivido pela indústria do aço (…) Não resta alternativa à empresa senão ajustar sua capacidade de produção de aço bruto a esta realidade de baixa demanda, com consequente impacto no quadro de pessoal”, informa a assessoria de imprensa da siderúrgica, em nota.

Recusa

“Não concordamos (com o conjunto de propostas). Podem até aplicar, mas será uma liberalidade deles. Entendemos que a empresa não tem qualquer intenção de voltar a produzir aço (em Cubatão). Amanhã (hoje) ou na segunda-feira, vamos nos reunir para adotar medidas: além das jurídicas, claro, ver quais poderão ser as (ações) políticas”, diz Sassá.

O delegado sindical da Baixada Santista do Sindicato dos Engenheiros do Estado, Newton Guenaga Filho, também considera encerrado o diálogo no MPT. “Foi muito pouco o que a empresa ofereceu. Não houve nenhum PDI (Plano de Desligamento Incentivado). Até hoje (ontem), demitiram 28 engenheiros e, ao todo, serão mais ou menos 100 mandados embora”.

O Sindicato dos Engenheiros também terá reunião na próxima semana para decidir como evitar mais dispensas sem a intermediação do MPT.

Fonte: A Tribuna
Seção: Siderurgia
Publicação: 15/01/2016

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