Usiminas concluirá renegociação nos próximos dias

20 de junho de 2016

Queila Ariadne

A Usiminas está perto de concluir sua reestruturação. Depois de fechar a renegociação de 75% da sua dívida com os bancos brasileiros, a siderúrgica anuncia que nos próximos dias vai finalizar acordo para ampliar o prazo dos 25% restantes com o banco japonês Japan Bank for International Cooperation (JBIC) e os bonds, títulos de renda fixa emitidos no exterior. O acordo deve seguir os mesmos moldes obtidos com os bancos nacionais, que aceitaram receber em dez anos, com carência de três. A dívida da empresa gira em torno de R$ 7,2 bilhões.

Essa renegociação só vai acontecer se a siderúrgica conseguir homologar seu plano de capitalização, pelo qual injetará R$ 1 bilhão para equilibrar o caixa e salvar a Usiminas. Isso tem que acontecer até o dia 22 de julho. No que depender da Usiminas, não haverá riscos. Ontem ela anunciou que antecipará para o dia 19 de julho a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que homologará a capitalização.

Ao todo, 200 milhões de ações foram colocados à venda, por R$ 5. Até o momento, em duas rodadas de subscrição, a companhia captou o valor de R$ 841,59 milhões. Ainda haverá nova rodada, que se encerra no dia 23 de julho, com as 31,68 mil ações restantes. A Nippon Steel, que controla a Usiminas junto com a Ternium, já se comprometeu a completar o restante, se necessário. A Ternium, a Siderar e a Prosid já subscreveram um total de 61,5 milhões e também manifestaram o interesse de adquirir mais na última rodada de sobras.

Os recursos serão direcionados para o caixa da empresa, com o objetivo de aumentar a liquidez e aliviar a estrutura de capital. Além disso, a diretoria está focada em realizar outras ações que contribuam para a geração de caixa, o que envolve a reestruturação da empresa, revisão de processos e a intensificação das medidas para redução dos custos.

Segundo uma fonte de mercado ligada à empresa, a capitalização é fundamental para dar fôlego à siderúrgica, garantindo que entre dinheiro em caixa, num momento em que as vendas de aço estão em queda no cenário nacional. “A receita foi para o chão e o custo financeiro subiu, pois o mercado teve retração de 30% na demanda e o preço do aço caiu 25%”, avalia.

Segundo a fonte, a capitalização, além de assegurar que os credores aceitarão dar mais prazo para a Usiminas quitar seus débitos, ainda dará mais tempo para que a empresa venda os ativos que julgar necessário para impulsionar o caixa.

“Quando se tem muitas dívidas, o ideal é conseguir esticar o prazo para que as prestações caibam no orçamento. A Usiminas está em uma situação complicada, ela precisa vender os ativos rápido. Agora, é possível conseguir vender com preços melhores, por exemplo”, avalia a fonte do setor siderúrgico. 

Credores

No Brasil. No início desta semana, a Usiminas assinou um acordo de renegociação das dívidas com Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco e com o BNDES e outro com debenturistas.

Juíza manda nomes da CSN ficarem no Conselho

Uma verdadeira guerra de liminares acontece para afastar do conselho de administração da Usiminas dois representantes da concorrente CSN. Desde que Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou essas participações, a medida é questionada na Justiça pela gestão da Usiminas e por seus controladores. Entre as alegações está o fato de o próprio Cade ter vetado o direito político à CSN, quando ela comprou 14,6% das ações da siderúrgica mineira, em 2012. Só nesta semana, na última quarta-feira o desembargador federal Jirair Meguerian negou a presença desses representantes. No dia seguinte, a juiza Luciana Moura julgou que eles podem participar.

“Em 2012, o Cade determinou que a CSN não tivesse direito político na Usiminas, por medo de reserva de mercado. Nós não questionamos porque entendemos a preocupação. Agora, o que o Cade autorizou foi a participação de conselheiros independentes que vão representar os minoritários. Eles não foram indicados pela CSN, mas pelo próprio Cade”, afirma Luiz Paulo Barreto, diretor institucional da CSN.

“Eles são independentes. Mas, mesmo que não fossem, o conselho tem 11 cadeiras e eles são apenas duas”, pondera o advogado da CSN, Walfrido Warde. Procurada, a Usiminas não comentou o assunto. (QA)

Fonte: O Tempo
Seção: Siderurgia
Publicação: 20/06/2016

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