Usiminas deverá receber aportes

11 de março de 2016

Mara Bianchetti

O futuro financeiro da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas) será decidido nas próximas horas na tão aguardada reunião do Conselho de Administração da companhia. Nippon Steel e Ternium/Techint, sócios controladores da siderúrgica, parecem, enfim, ter chegado a um consenso pela injeção de recursos no caixa da empresa, visando sua capitalização e o alongamento de dívidas que estão para vencer, evitando assim, um possível pedido de recuperação judicial.

A decisão, no entanto, ainda envolve contestações entre as partes sobre o volume a ser aportado. Enquanto o grupo japonês planeja uma injeção de capital por parte dos acionistas da ordem de R$ 1 bilhão, argumentando disposição de bancar sozinho a operação, caso seja necessário, o grupo ítalo-argentino defende um aporte limitado e condicionado à utilização de parte dos recursos da subsidiária de mineração da companhia – a Musa – que chegam a R$ 1,3 bilhão.

Informações de mercado dão conta que esse “aporte limitado” diz respeito à parte dos R$ 1,3 bilhão que a companhia tem na Musa mais a injeção dos acionistas, ao limite de R$ 1 bilhão, visando à preservação dos minoritários e a utilização imediata de recursos em dívidas que vencem ainda neste mês. O capital injetado pelas empresas levará cerca de 90 dias para estar disponível no caixa da empresa.

Procurada pela reportagem, a Nippon não quis comentar o assunto. A Ternium, por sua vez, disse por meio de nota que acredita que as melhores alternativas de curto prazo para aliviar o endividamento da companhia e proteger todos os acionistas e bancos são a utilização imediata do recurso disponível na Mineração Usiminas; uma negociação para prolongar os vencimentos de curto prazo; e um aporte limitado de capital, a fim de evitar diluições desnecessárias.

Ainda em nota, a Ternium ressalta seu interesse por uma rápida solução de longo prazo para a gestão da Usiminas, visando a sustentabilidade da companhia.

Uma fonte ligada às negociações que preferiu não se identificar disse que as negociações entre Nippon Steel e Ternium/Techint se mostraram bastante intensas nos últimos dias. “A boa notícia é que a Nippon fez as contas e está disposta a injetar o R$ 1 bilhão sozinha, ou seja, a Usiminas não vai quebrar. O caixa vai ser recomposto e as dívidas serão renegociadas com os bancos”, afirma.

Por outro lado, segundo a fonte, os argentinos seguem inflamando o processo, à medida que não se mostram dispostos a aplicar o montante em sua totalidade. “Os recursos da Musa serão utilizados, mas junto com eles será necessário mais R$ 1 bilhão. Porque os bancos já foram claros que só vão renegociar as dívidas se a empresa tiver caixa suficiente. Não adianta fazer uma capitalização inferior, porque o objetivo não vai ser atingido”, justifica.

Prejuízo – A Usiminas encerrou 2015 com um prejuízo líquido de R$ 3,6 bilhões e dívida acumulada líquida de R$ 7,9 bilhões. A empresa tem em caixa cerca de R$ 2 bilhões, cerca de R$ 1,3 bilhão da empresa de mineração. Se houver um aumento de capital, os principais credores – Banco do Brasil, Itaú e Bradesco – se comprometem a rolar cerca de R$ 4 bilhões em dívidas da empresa (R$ 2,4 bilhões vencem nos próximos 12 meses). A dívida total da empresa chega a R$ 8 bilhões.

 A fonte lembra que o principal motivo para os resultados negativos da Usiminas diz respeito ao comportamento do mercado interno, que caiu consideravelmente nos últimos dois anos, e à derrubada de preços no mercado internacional.

“A siderúrgica vende para setores de linha branca, automotivo, construção civil, óleo e gás, entre outros. Qual deles está indo bem? Diante da conjuntura, não haveria como um fornecedor de matéria-prima estar com resultados positivos. E, para completar, o impasse entre os acionistas não ajuda em nada a busca por uma solução”, conclui.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia
Publicação: 11/03/2016

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