Usiminas não pode morrer

7 de março de 2016

Com prejuízo líquido, no ano passado, de R$ 3,6 bilhões e uma dívida acumulada líquida de R$ 7,9 bilhões, é crítica a situação da Usiminas. Fontes próximas ao comando da empresa, por suposto familiarizadas com seus bastidores, sustentam que seu caixa está muito perto de ser esvaziado completamente, com riscos evidentes  à continuidade de suas operações. E tudo por conta da falta de entendimento entre seus principais acionistas, a Nippon Steel, a Techint e a Ternium, que disputam poder e trocam acusações, comprometendo a um só tempo a governança, a gestão e, sobretudo, novos aportes de capital. Apesar das dificuldades de conjuntura, relativas a excesso de oferta e queda de preços no mercado externo e recessão doméstica, não é difícil perceber a natureza dos problemas enfrentados pela Usiminas, sendo bastante comparar seus resultados com o de empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Gerdau.

Na realidade, dizem observadores mais próximos e mais atentos, a empresa, que em outros momentos chegou a ser apontada como detentora de padrões de excelência na siderurgia mundial, perdeu o rumo desde que o engenheiro Rinaldo Campos Soares deixou a presidência. A partir daquele momento, a Nippon Steel perdeu sua posição de liderança e não teria sabido conviver com a nova realidade. Foi assim, pelo menos na visão de um deles, que o acordo de acionistas acabou se transformando num casamento desfeito e deixando a empresa diante de enormes dificuldades. É evidente que qualquer ação proativa, centrada na capitalização e melhorias na gestão, necessariamente teria que partir desse entendimento básico, com novas injeções de recursos e reestruturação da empresa.

Mas as partes continuam trocando acusações. A Nippon Steel pelo menos formalmente se diz disposta a aportar recursos, desde que seus parceiros façam o mesmo. Ternium e Techint em tese concordam, mas condicionam qualquer movimento a mudanças efetivas na gestão. O problema é que o tempo está se esgotando, sem saídas à vista e a certeza de que o caixa estará vazio até meados do mês, sem que os acionistas até agora se entendam sequer para validar um pedido de recuperação judicial.

A Usiminas, do ponto de vista dos mineiros, não é uma empresa qualquer, sendo antes símbolo do processo de modernização da indústria local e fruto da mobilização de seus empresários. Algo que deveria fazer diferença diante das circunstâncias que se apresentam, com efetiva mobilização das entidades de classe – as mesmas que foram decisivas na fundação da empresa – e da sociedade civil. Deixar a Usiminas morrer é hipótese que os mineiros não podem considerar.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia
Publicação: 07/03/2016

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