Usiminas vai ao governo mineiro para falar da crise

16 de fevereiro de 2016

Queila Ariadne

A crise da Usiminas está movimentando a alta cúpula do governo mineiro, que teme perder uma empresa que gera 6.500 empregos diretos em Ipatinga, no Vale do Aço, e pelo menos outros 6.500 indiretos. Nesta segunda, o diretor-presidente da siderúrgica, Rômel Erwin de Souza, se encontrou com o governador Fernando Pimentel. Detalhes não foram divulgados porque a empresa está em período de silêncio até a divulgação dos resultados, na próxima quinta-feira. No entanto, por meio da assessoria de imprensa, a siderúrgica confirmou que “o encontro ocorrido hoje (nesta segunda) entre o presidente da Usiminas e o governador de Minas, com a participação do presidente da Codemig, se ateve somente a informações sobre o cenário atual da empresa”.

Os esforços estaduais configuram uma verdadeira força-tarefa. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) informou que vem acompanhando atentamente a situação da Usiminas, preocupado com a manutenção do nível de emprego e renda na região do Vale do Aço. Por meio da assessoria de imprensa, destacou que “está à disposição para buscar soluções na área que lhe compete”.

A Secretaria de Estado da Fazenda também já demonstrou boa vontade. Também por meio da assessoria de imprensa, destacou que não há qualquer procedimento para evitar que empresas entrem em processo de recuperação judicial. Entretanto, ressaltou que, “pela Lei 21.794/2015, existe a possibilidade de empresas já em processo de recuperação judicial parcelarem seus débitos tributários e não tributários com o Estado”, afirmou.

Em entrevista publicada nesta segunda pelo jornal O TEMPO, o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerias (Codemig), Marco Antônio Castello Branco, ressaltou que o Estado tem todo interesse em mediar a solução da crise da Usiminas, que passa por um entendimento entre os sócios majoritários (Nippon Steel e Ternium) para que seja apresentado um plano de recuperação, capaz de reconquistar a credibilidade junto aos bancos que podem conceder empréstimos.

A Ternium, do grupo ítalo-argentino Technit, afirma que entende a preocupação do governo pela importância que a Usiminas tem para o Estado. “Com a deterioração da empresa nos últimos 14 meses, torna-se fundamental um choque de gestão para que haja uma solução estrutural de longo prazo”, destacou, via assessoria de imprensa.

A Nippon, por meio de nota, destaca que “trata-se de um assunto que deve ser avaliado pela administração de Usiminas. Não temos conhecimento sobre o assunto. Queremos proteger os interesses da Usiminas e iremos apoiar as iniciativas tomadas pela administração nesse sentido”.

A situação está causando insegurança na população de Ipatinga, que teme virar uma segunda Cubatão, onde há plano de demissão de 4.000 trabalhadores. Perguntada sobre um plano de demissões em Ipatinga, a empresa afirma que “a Usiminas desconhece essa informação”.

No mercado, as expectativas são de que, nesta quinta-feira a empresa apresentará mais um prejuízo. Caso confirmado, será o sexto trimestre negativo. Com caixa baixo e dívida alta, os rumores são de que a gigante do aço está à beira de um pedido de recuperação judicial.

Demissões. A Vallourec fechará uma unidade em João Pinheiro, Noroeste de Minas. Os sindicatos dos metalúrgicos e dos trabalhadores de extração vegetal afirmam que serão 84 cortes.

Empresa já começa a por ativos à venda

São Paulo. A Usiminas confirmou nesta segunda que, em 26 de novembro, contratou o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) para atuar como seu assessor financeiro em uma eventual operação envolvendo a venda da totalidade ou de parte dos ativos ou do capital social de sua controlada Usiminas Mecânica, que atua no segmento de bens de capital.

De acordo com esclarecimento da empresa a questionamento da BM&FBovespa, a Usiminas “optou por não divulgar referida informação ao mercado naquele momento, tendo em vista que não havia (como ainda não há) qualquer definição acerca do formato e/ou da efetiva realização da referida operação e que a confidencialidade da informação em tela não havia escapado ao seu controle”.

Fontes de mercado afirmam que, além da venda integral da Usiminas Mecânica, a companhia poderá considerar ofertas por outras unidades de negócios de sua carteira.

A falta de agilidade tem sido questionada. Um exemplo dado por uma fonte foi de que houve um contato de uma companhia chinesa interessada na aquisição da Usiminas Mecânica, mas a operação não chegou a andar.

Fonte: O Tempo
Seção: Siderurgia
Publicação: 16/02/2016

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